O déficit brasileiro em transações correntes atingiu 4,71% do PIB nos 12 meses completados em fevereiro último. Em relação ao PIB, esse foi o maior déficit desde o lançamento do real, em julho de 1994. O resultado negativo é reforçado pela queda no valor do PIB, provocada pela desvalorização do real perante o dólar.
Em valores absolutos, o déficit em transações correntes está caindo. Essas transações incluem as exportações e as importações (balança comercial), a conta de serviços (juros, viagens internacionais, transportes, seguros, etc.) e as transferências unilaterais.
Quando somamos isso ao item despesas de capital (investimentos e amortizações de dívidas, por exemplo), temos o balanço de pagamentos - que registra todas as operações do Brasil com o exterior. Em fevereiro, essa conta teve déficit de US$ 469 milhões, resultado do déficit de US$ 924 milhões em transações correntes mais o superávit de US$ 455 milhões na conta de capital, devido principalmente ao ingresso de investimentos.
Nos 12 meses completados em janeiro, o déficit em transações correntes ficou em 4,68% do PIB. Se a comparação foi feita em dólares, o déficit acumulado em 12 meses melhorou de janeiro para fevereiro. Em janeiro, ele ficou em US$ 35,639 bilhões. No mês passado, o resultado foi negativo em US$ 35,070 bilhões.
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, disse que o aumento do déficit em relação ao PIB é uma consequência da queda desse indicador quando medido em dólares.
Os dados divulgados ontem pelo BC mostram que a necessidade de financiamento das contas externas acumulada nos 12 meses terminados em fevereiro foi a menor desde fevereiro de 1995, quando ficou em 0,58% do PIB. No mês passado, ela foi de 0,72% do PIB, ou US$ 5,380 bilhões. A previsão da área econômica é que o déficit em transações correntes deste ano fique em 3% do PIB.

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