Déficit externo abaixo de US$ 13 bi
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de outubro de 2002
Agência Estado 
Nova York O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse ontem que o déficit em conta corrente do Brasil está em queda e deverá ficar neste ano seguramente abaixo de US$ 13 bilhões, podendo o número final aproximar-se dos US$ 12 bilhões. Na estimativa de Fraga, o superávit da balança comercial ficará acima de US$ 10 bilhões neste ano.
''A forte redução no crédito, causada pela situação da economia global e também por conta da nossa própria situação, causou uma forte depreciação do câmbio, mas gerou também um forte ajuste na balança comercial'', disse Fraga, durante apresentação feita a convite do Federal Reserve de Nova York em jantar promovido, anteontem à noite, pelo Money Marketeers, grupo ligado à Universidade de Nova York.
O presidente do BC ressaltou para a platéia de gestores de fundos de renda fixa e analistas que os números do balanço de pagamentos brasileiro, que têm sido uma preocupação para a comunidade internacional, são ''perfeitamente administráveis'', especialmente se o próximo governo assinar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que resultou num empréstimo de US$ 30 bilhões em agosto deste ano.
''Espero que o acordo seja assinado, independentemente de quem vença as eleições'', ressaltou Fraga. Segundo ele, o Brasil tem hoje cerca de US$ 36 bilhões em reservas internacionais e, com o acordo, essas reservas sobem para aproximadamente US$ 65 bilhões. Por outro lado, o governo terá compromissos externos, entre amortizações e pagamento de juros, de cerca de US$ 9 bilhões em 2003. Em relação à dívida pública doméstica, Fraga enfatizou para a platéia que, embora tenha havido uma elevação na relação dívida/PIB do País, não se deve esperar que essa seja uma direção ou tendência que continue indefinidamente.
''Desde 1999, colocamos em prática um grande ajuste fiscal'', afirmou Fraga, salientando que o superávit primário será um pouco abaixo de 4% do PIB neste ano. ''E a taxa de câmbio não continuará se depreciando para sempre, especialmente em termos reais. Portanto, há overshooting exagerado na cotação do câmbio e, na medida em que o governo faça a sua parte, poderemos ver uma apreciação do câmbio'', declarou o presidente do BC. Neste cenário, explicou, se for mantida uma política fiscal sólida, com a manutenção das metas de superávit primário, a relação dívida/PIB do País deverá começar a cair.
Fraga disse estar confiante que o próximo presidente fará as escolhas certas para a economia brasileira. Fraga referiu-se especialmente à assinatura do acordo com o FMI, que resultou no empréstimo de US$ 30 bilhões. ''Diante do ambiente global que atravessamos, esses recursos representam uma proteção importante, uma apólice de seguro que temos à nossa disposição. E, com esses recursos, teremos bastante tempo para convencer, primeiro a nós mesmos no Brasil e depois ao resto do mundo, que nós vamos manter políticas econômicas saudáveis'', afirmou Fraga.


