A crise financeira fez os gastos com juros crescerem 32,5% em setembro, o que contribuiu para que o déficit público atingisse valor estimado em 8,32% do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no País). Esse déficit ultrapassa os 7,75% do PIB registrados no mês anterior, marca que já era recorde no governo FHC, e supera a meta de déficit de 8,1% do PIB para o fechamento do ano prevista no acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional).
Dizer que o déficit atingiu 8,32% do PIB nos 12 meses encerrados em setembro significa afirmar que as despesas da União, dos Estados, dos municípios e das empresas estatais superaram as receitas em R$ 75,208 bilhões, entre outubro de 1997 e setembro de 1998. Em setembro houve um acréscimo de R$ 5,064 bilhões no déficit do setor público (pelo conceito nominal, que inclui todas as despesas e receitas), quando comparado com agosto, mês em que o déficit acumulado em 12 meses estava em R$ 70,140 bilhões.
Esse crescimento do déficit se explica principalmente pelo aumento das taxas de juros promovido pelo BC. O gasto com juros da dívida pública subiu de R$ 5,363 bilhões, em agosto, antes da alta das taxas, para R$ 7,104 bilhões em setembro, após o choque de juros. Para conter a fuga de dólares desencadeada pela moratória russa, no início de setembro o BC elevou a taxa básica de juros de 19% anuais para cerca de 40% anuais.
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central , Altamir Lopes, disse que, além da alta dos juros, o aumento do déficit pode ser explicado também pela queda de receitas do governo federal. Segundo Lopes, houve uma redução de R$ 6,6 bilhões na arrecadação, de agosto para setembro deste ano. Desse total, R$ 5,3 bilhões se referem à venda da Telebrás, cujos recursos ingressaram nos cofres públicos em agosto, e o resto, à queda da arrecadação, como do IRPJ (Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido).
O resultado de setembro já supera o previsto no acordo com o FMI. Segundo Lopes, o acordo prevê como meta para dezembro um déficit em reais hoje equivalente a 8,1% do PIB, ou R$ 72,879 bilhões. Como o déficit em setembro era estimado em R$ 75,208 bilhões, a economia necessária para cumprir a meta é de R$ 2,329 bilhões.
Para 1999, o acordo com o FMI prevê uma meta ainda mais apertada: déficit nominal de, no máximo, 4,7% do PIB. Ou seja, os gastos totais, incluindo os juros, não poderão superar as receitas em mais que R$ 42,770 bilhões, considerando o PIB previsto para 1999.
Para tentar alcançar essa meta, o governo baixou um pacote fiscal com previsão de gerar uma economia fiscal de R$ 28 bilhões em 1999. Mas, dessas receitas, o governo poderá perder R$ 2,5 bilhões com a derrota, no Congresso, de projeto que taxaria servidores inativos e ampliaria a contribuição dos ativos. A proposta deverá ser reapresentada no próximo ano.
O cumprimento do acordo com o FMI também dependerá da queda dos juros. Pelo acordo, os juros têm um teto estimado em R$ 66,5 bilhões em 1999. Em setembro, após a alta dos juros, a despesa mensal com a dívida pública subiu a R$ 7,104 bilhões - valor que, se mantido por um ano, chegaria a R$ 85,2 bilhões.
Para evitar que o gasto com a dívida fique tão alto, desde 11 de novembro o governo vem promovendo reduções graduais na taxa de juros. O acordo com o FMI prevê que a taxa média fique em 21,9% anuais em 1999, contra a média de 29,7% prevista para este ano.

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