Brasília
BRASÍLIA - Nos primeiros cinco meses do ano, o déficit em transações correntes (saldo negativo ocorrido nas operações de comércio e serviços do Brasil com o exterior) chegou a US$ 12,9 bilhões. Somente em maio, foram US$ 2,2 bilhões. Em 12 meses, o País acumula o saldo negativo de US$ 31,2 bilhões, o que corresponde a 4,06% do Produto Interno Bruto (PIB). Ou seja, bem próximo do limite máximo previsto pela equipe econômica, que acredita em um déficit entre 4% e 5% do PIB este ano.
Na opinião do chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, o déficit em transações correntes não gera maiores preocupações porque uma grande parcela é financiada com os investimentos diretos. Ou seja, o montante de recursos que são investidos de forma definitiva no País. Em maio, por exemplo, os investimentos diretos financiaram 48,7% do déficit mensal, mas a média do ano tem-se mantido em torno de 40%.
Lopes destaca que ‘‘os outros 60% estão em empréstimos de longo prazo’’. Ele lembra que o Brasil continua atraindo estes investidores pois, nas duas primeiras semanas de junho, o Banco Central registrou US$ 270 milhões em investimentos diretos. Até maio, foram US$ 12,4 bilhões e a previsão para o ano inteiro é que chegue a US$ 15 bilhões.
Ontem o chefe do Depec informou que o balanço de pagamentos (inclui, além das transações correntes, o movimento de capital) no primeiro trimestre do ano foi negativo em US$ 910 milhões, o que provocou uma perda de reservas internacionais nesse mesmo valor. Isso porque o capital que entrou no País não foi suficiente para cobrir o déficit.
A conta de capital ficou positiva em US$ 5,9 bilhões, mas o resultado das transações correntes foi deficitário em US$ 6,8 bilhões. Neste resultado foram contabilizados US$ 3 bilhões da balança comercial e outros R$ 4,4 bilhões da conta de serviços. O déficit foi amenizado, no entanto, por US$ 618 milhões das transferências unilaterais (dinheiro que brasileiros residentes no exterior enviam ao País, principalmente os dekasseguis, que estão no Japão).
Na expectativa de Lopes, que reflete o pensamento do governo, a tendência para o déficit em transações correntes é de estabilização. Uma das justificativas, diz ele, é o fato de o capital de curto prazo estar cedendo lugar aos recursos de longo prazo.
Para este mês, por exemplo, o chefe do Depec afirma ter havido outra reversão, dessa vez nas remessas de lucro e dividendos, item da rubrica serviços. Em cinco meses, o saldo do item está negativo em US$ 2,2 bilhões, dos quais US$ 434 milhões em maio. Mas em junho, revela Lopes, empresas brasileiras com filiais no exterior já enviaram mais de US$ 200 milhões para o Brasil e, segundo ele, o saldo está positivo. ‘‘Até o ano passado, os brasileiros não tinham interesse em repatriar’’, afirmou.
O Banco Central ainda não tem estimativas do impacto gerado pelas restrições impostas aos cartões de crédito em maio. Lopes ressalta que este resultado só poderá ser visto nos números de junho.

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