Déficit em contas externas é menor
Déficit em contas externas é menor
Arquivo Folha
PerspectivaAltamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central: Há uma tendência de melhoraCom o melhor desempenho da balança comercial e o resultado na conta dos serviços trocados
com o exterior, as contas externas do País estão apresentando recuperação. No período de 12 meses encerrados em abril, o déficit em transações correntes (que são operações de comércio e serviço que o Brasil realiza com outros países) ficou em 4,01% do Produto Interno Bruto (PIB), o que corresponde a US$ 32 bilhões. Nos 12 meses até março este resultado havia chegado a 4,09% do PIB, ou US$ 32,7 bilhões. Os dados foram divulgados ontem pelo Banco Central.
Nos primeiros quatro meses do ano o déficit em transações correntes também apresentou recuperação. O resultado ficou em US$ 9,1 bilhões (3,63% do PIB) ante os US$ 10,5 bilhões (4,13% do PIB) obtidos no mesmo período do ano passado. Há uma tendência de melhora, afirmou o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, ressaltando que, enquanto as exportações estão aumentando e as importações apresentam retração, a conta de serviços está se acomodando. Daí a melhora nos resultados externos.
No mês de abril, isoladamente, o déficit em transações correntes foi pressionado pelo pagamento de juros da dívida externa e ficou superior ao de março. O resultado do mês passado foi negativo em US$ 3,16 milhões ante os US$ 2,39 bilhões de março. Lopes ressaltou, no entanto, que os juros pagos foram referentes aos títulos bradies (que integram a dívida renegociada com desconto).
Este pagamento, que no mês passado chegou a US$ 1,1 bilhão, só é feito nos meses de abril e outubro. Assim, segundo explicou, o déficit mensal maior não significa uma piora das contas. Os resultados não podem ser comparados porque março não teve este tipo de pagamento, afirmou. Em relação a abril do ano passado, quando também foram pagos juros dos bradies, o déficit do mês passado foi menor, pois ficou em US$ 3,1 bilhões ante os US$ 3,8 bilhões do mesmo mês em 97.
Com o pagamento dos juros, a conta de serviços ficou negativa em US$ 3 bilhões em abril. Nos primeiros quatro meses do ano este déficit chegou a US$ 7,95 bilhões. A maior pressão nestes resultados foi exatamente da conta de juros, que apresentou saldo negativo de US$ 1,52 bilhões no mês, e de US$ 3 bilhões nos quatro meses.
A remessa de lucros e dividendos também provocou pressão nas contas, pois no mês estas operações apresentaram déficit de US$ 572 milhões, totalizando US$ 1,54 bilhões no primeiro quadrimestre do ano. Em abril, as remessas chegaram a US$ 673 milhões, gerando uma média mensal de US$ 300 milhões no quadrimestre ante a média mensal de US$ 147 milhões de todo o ano de 97. E maio, até o último dia 13 estas remessas atingiram o total de US$ 206 milhões.
Os investimentos diretos líquidos, no mês passado, foram de US$ 1,6 bilhão, dos quais US$ 551 milhões foram referentes à privatização da Companhia de Eletricidade do Ceará (Coelce) e R$ 330 milhões à concessão da Banda B da telefonia celular. Nos primeiros 13 dias de maio, os investimentos diretos brutos foram de US$ 601 milhões, sendo US$ 273 milhões destinados ao setor financeiro, US$ 69 milhões para serviços, telecomunicações US$ 20 milhões e mais US$ 15 milhões ao setor eletroeletrônico.
O BC divulgou também o balanço de pagamentos para o primeiro trimestre do ano, que fechou superavitário em US$ 16,4 bilhões. Isso significa que no período houve uma acumulação de reservas cambiais no mesmo valor. No último trimestre de 97, exatamente os três mais afetados pela crise iniciada nos países asiáticos e que afetou o Brasil a partir do final de outubro, o balanço de pagamento havia sido deficitário em US$ 10,1 bilhões, refletindo a perda de reservas naquele período.
Enquanto a balança comercial, a conta de serviços e as transferências unilaterais (remessas de brasileiros residentes no exterior) apresentaram déficit de US$ US$ 5,95 bilhões nos três meses, a conta de capital (ingresso de recursos externos no Brasil) fechou positiva em US$ 22,41 bilhões no primeiro trimestre.





