O Brasil fechou o ano de 2000 com o menor déficit em transações correntes – que inclui o resultado da balança comercial, serviços e transferências unilaterais – desde 1996. No ano passado, o déficit em transações correntes ficou em US$ 24,608 bilhões, US$ 454 milhões menos que em 1999.
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, atribuiu a melhora ao comportamento da balança comercial, que, embora negativa, teve melhor desempenho do que o verificado no ano anterior. Em 2000 a balança comercial foi negativa em US$ 698 milhões, enquanto que em 1999 o resultado negativo foi de US$ 1,260 bilhão.
Lopes também destacou que a melhora do déficit em transações correntes pode ser atribuída aos serviços, uma conta estruturalmente deficitária por conta do pagamento de juros e da dependência do País em tecnologia e transportes. Ao contrário dos anos anteriores, que registraram crescente elevação da conta serviços, em 2000 ela chegou a ficar um pouco inferior à de 1999. Em 1999 a conta serviços foi deficitária em US$ 25,829 bilhões e em 2000, em US$ 25,706 bilhões.
O chefe do Depec alertou para o fato de que a tendência da conta de serviços continua ser de crescimento. Isso porque as viagens internacionais, que fazem parte da conta, ainda estão deprimidas em relação aos anos anteriores. O saldo líquido das viagens internacionais fechou o ano de 2000 deficitário em US$ 2,086 bilhões contra um déficit de US$ 1,457 bilhão em 1999, ano da desvalorização cambial. Nos dois anos anteriores a 1999, o déficit em viagens internacionais foi superior a US$ 4 bilhões.
Para Lopes, o que importa é que o déficit em transações correntes vem sendo financiado, com folga, pelos investimentos diretos. Em 2000 o ingresso de recursos externos no País atingiu US$ 30,563 bilhões em termos líquidos, o maior valor que se tem notícia.

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