Brasília - O deficit da Previdência Social de 1 milhão de servidores públicos da União e militares já é maior dos que o dos 24 milhões de trabalhadores da iniciativa privada que recebem pelo INSS. A previdência virou "uma sangria desatada não contida", segundo o ministro Aroldo Cedraz, eleito na última quarta-feira como novo presidente do Tribunal de Contas da União (TCU). Os dados sobre os deficits estão numa auditoria aprovada na data pelo Tribunal, que fez várias recomendações ao governo no sentido de rever a política da previdência.
Para ele, o sistema ameaça quebrar "se não forem tomadas medidas em tempo hábil". Segundo o relatório, a despesa do governo com todo o sistema de previdência (INSS, servidores e militares) chegou a R$ 446 bilhões em 2013, o que alcançou pouco mais de 1,1% do PIB. Pelo relatório, isso significa que o custo foi o dobro do que o País gastou com saúde, educação e assistência social juntas.
A maior preocupação, pelo estudo, é que essa despesa vem crescendo muito acima do crescimento do PIB e até mesmo da inflação. Segundo os dados, o gasto em 2009 foi de R$ 291 bilhões. Isso significou um aumento de 11% ao ano no período. Como a arrecadação também não acompanhou o crescimento da despesa, isso gerou deficits bilionários no sistema que são cobertos com recursos do Tesouro da União.

Impacto


No regime dos servidores públicos, o deficit em 2013 foi de R$ 40 bilhões. Esse regime alcança 670 mil aposentados. Já a previdência dos militares, com 270 mil beneficiados, teve R$ 22 bilhões de deficit. Juntos, esses dois grupos somam cerca de 1 milhão de aposentados e deficit de R$ 62 bilhões. No regime geral da Previdência Social, pelo qual 24 milhões de beneficiários recebem aposentadorias e pensões pelo INSS, o deficit chegou a R$ 50 bilhões. Ou seja, os cerca de 1 milhão de aposentados públicos levaram a um deficit superior ao dos 24 milhões de aposentados. "O problema somos nós", disse o ministro Benjamin Zymler referindo-se aos servidores públicos.
Outro ministro, Walton Alencar, criticou os benefícios dados a servidores públicos ao longo dos anos dizendo que eles não são compatíveis. "A quebradeira no Brasil é certa nos próximos 5 a 10 anos. Não teremos condições de pagar isso", disse Alencar, o mais antigo do tribunal.

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