Arquivo FolhaFase negraO ministro Francisco Dornelles: ‘‘Primeiro trimestre é sempre o pior período para a balança’’ A balança comercial deve fechar o mês de março com déficit em torno de US$ 770 milhões, de acordo com o ministro da Indústria, Comércio e Turismo, Francisco Dornelles. Embora este número seja consideravelmente maior do que o de fevereiro - de cerca de US$ 85 milhões -, ficará ainda abaixo do resultado de março do ano passado. Um ano atrás, o déficit do mês foi de US$ 1,057 bilhão antes da revisão dos registros de importação e de US$ 876 milhões depois de revistos os dados pela Receita.
‘‘Para comparação, deve ser usado o valor não revisado, uma vez que essa previsão para março também refere-se ao resultado antes da revisão dos dados das importações pela Receita, a qual deverá diminuir o montante a ser apurado neste mês’’, explicou Dornelles. Até hoje, segundo o ministro, a balança comercial acumula déficit de US$ 679 milhões no mês, com déficit diário em torno de US$ 30 milhões.
O ministro informou que o melhor resultado de março desse ano em comparação ao mesmo período do ano anterior deve-se a um incremento nas exportações de manufaturados, em especial do setor automotivo. Ele não quis adiantar previsões para o fechamento da balança no ano, mas garantiu que o déficit será bem menor do que o registrado no ano passado, que foi de US$ 8,3 bilhões. ‘‘O primeiro trimestre é sempre o pior período para a balança.’’
Nas três primeiras semanas de março, a balança acumula déficit de US$ 441 milhões, com um volume de importações de US$ 3,296 bilhões e exportações de US$ 2,855 bilhões. De janeiro até 22 de março o rombo já chegava a US$ 1,188 bilhão.
As exportações terão de crescer pelo menos 10% ao ano para que o Brasil atinja a meta de US$ 100 bilhões no ano 2002, disse ontem o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e futuro Secretário-Executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Roberto Mendonça de Barros. Ele observou, porém, que ainda ‘‘falta um conjunto de medidas mais ousadas voltadas à exportação’’, e que o governo vai estimular os setores mais competitivos da economia neste sentido. ‘‘A abrangência será a maior possível’’, explicou.
Segundo Mendonça, toda a cadeia produtiva de cada setor será alvo do programa de estímulo. E o governo quer incluir as pequenas e médias empresas, porque elas são grandes empregadoras, o que seria um estímulo ao emprego. O financiamento às exportações, segundo o secretário, pode usar mecanismos do mercado financeiro, como a securitização dos recebíveis. Segundo ele, esse é um mecanismo viável, que poderia ser utilizado até mesmo pelas pequenas e médias empresas, através da atuação de tradings.
Hoje, apenas grandes empresas se valem desse mecanismo porque movimentam grandes volumes. A partir de tradings, as empresas menores conseguiriam lotes maiores com alguma recorrência de entrega ou mesmo grandes lotes de mercadorias a serem entregues ao longo de muito tempo. Além das tradings, Mendonça vê espaço para a formação de cooperativas de pequenos e médios produtores ou mesmo à integração deles a grandes grupos, como acontece hoje com a exportação de frutas.

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