Déficit deve atingir US$ 5,5 bilhões
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quinta-feira, 27 de agosto de 1998
Agência Estado 
O ministro da Indústria, Comércio e Turismo, José Botafogo Gonçalves, disse ontem que a expectativa do governo é de que a balança comercial feche este ano com déficit entre US$ 5 bilhões e US$ 5,5 bilhões. No final do ano passado, quando o déficit comercial foi de US$ 8,372 bilhões, a meta do governo era reduzir este resultado negativo à metade.
O ministro admitiu que a crise internacional de fato afetou o comportamento da balança. Reconheceu também que a operação-padrão da Receita Federal nos portos e aeroportos tem atrasado o embarque e desembarque de mercadorias.
Botafogo destacou que as exportações de açúcar e café, por exemplo, estão sendo afetadas negativamente em consequência da crise da Rússia, tradicional importadora destes produtos. Já sabemos que algumas de nossas exportações estão sofrendo, afirmou.
O ministro disse que o Brasil deve aproveitar a diversificação da pauta e de mercados para compensar, no longo prazo, as perdas de negócios em alguns países compradores que foram afetados pela crise. Ele ressaltou que esta diversificação é uma tendência de longo prazo, que não resolverá as oscilações imediatas do mercado internacional.
Botafogo acrescentou que os Estados Unidos, a Europa e o Mercosul são mercados crescentes para as exportações brasileiras. Segundo ele, a ampliação dos negócios para estes mercados pode reduzir o impacto negativo na balança com a queda das importações por outros países afetados pela crise.
Em relação ao atraso no embarque e desembarque de produtos por conta da operação padrão da Receita, Botafogo disse que é indispensável eliminar, no curto prazo, as dificuldades causadas com a lentidão da liberação dos produtos. Ele destacou, no entanto, que não cabe nenhuma medida oriunda de sua pasta.
O ministro ressaltou que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o secretário da Receita, Everardo Maciel, estão muito empenhados em resolver os problemas provocados pela operação. Para ele, o balanço da situação é negativo. Muitas importações e exportações estão atrasadas ou paralisadas, destacou.
O Brasil precisa exportar e importar, e eu acho que os interesses nacionais devem prevalecer sobre reivindicações justas de determinados segmentos de categoria profissional, assinalou. Botafogo destacou que é impossível, em um país globalizado e em uma economia globalizada, ter o comércio exterior paralisado ou andando devagar.


