Déficit de setembro fica em US$ 801 mi, o maior do ano
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quinta-feira, 22 de outubro de 1998
Agência Estado 
A crise internacional aumentou em 80% o déficit comercial brasileiro com os países do bloco asiático de janeiro a setembro deste ano. O saldo negativo no comércio com a Ásia neste período cresceu de US$ 866 milhões para US$ 1,573 bilhão, o que equivale a uma perda de US$ 707 milhões. As exportações brasileiras para estes países, que vêm registrando retração generalizada em suas compras externas, recuaram 28,5%. As quedas mais pronunciadas foram para Tailândia (-69,3%), Filipinas (-55,8%), Indonésia (-49,4%), Malásia (-45,3%), Coréia do Sul (-38,7%), Japão (-29,1%) e China (-16,1%).
O resultado da balança comercial, divulgado ontem pelo Ministério da Indústria do Comércio e do Turismo, confirmou o déficit de setembro como o maior do ano: US$ 801 milhões, com o acumulado no ano em US$ 3,811 bilhões. As importações foram de R$ 5,338 bilhões e as exportações, R$ 4,537 bilhões. Em setembro do ano passado o déficit foi de R$ 1,069 bilhão. O secretário de Comércio Exterior do MICT, Maurício Cortes, afirmou que o déficit de setembro foi inflado em decorrência do resultado de dois meses atípicos.
As exportações de agosto foram prejudicadas por problemas operacionais, causados pela greve dos fiscais da Receita. Em setembro, o movimento especulativo que antecedeu as negociações do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi responsável pela antecipação das importações, por causa do temor sobre a adoção de medidas restritivas. Em outubro, a se confirmar um novo déficit, será certamente bastante inferior, diz Cortes.
A Ásia, que desde outubro do ano passado vem sofrendo com maior impacto os efeitos da crise financeira, passou a responder em setembro por 11,1% da pauta de exportações brasileiras. Em agosto, esta participação era de 15,4%. Os principais ítens atingidos com queda nas exportações foram alumínio (-63,4%), farelo de soja (- 55,1%) e laminados (-72,9%). O resultado negativo para o Brasil poderia ter sido pior, se as importações de produtos asiáticos tivessem crescido.
Mas, contrariando as previsões de analistas que esperavam aumento das compras de produtos asiáticos por causa da desvalorização das moedas desses países, os nove primeiros meses do ano apontaram queda de 14,8% nas importações, em relação ao mesmo período do ano passado.


