O mercado de Tecnologia da Informação (TI) promete ser promissor nos próximos dez anos no Brasil. Mais de 300 mil empregos vão ser criados no País, das 630 mil oportunidades existentes na América Latina. Os profissionais de TI, conhecidos como programadores, criam software para fazer funcionar desde um simples dispositivo de microondas até disparar um míssil espacial. No Paraná, este ano há falta de 3 mil programadores e, em 2010, este número saltará para 10 mil oportunidades, porém sem perspectivas reais de serem preenchidas, devido a falta de investimentos pesados na formação destes profissionais, apesar de algumas iniciativas.
O Brasil possui 892 mil profissionais no setor, ficando em segundo lugar México, com 430 mil, e Argentina, 179 mil. Os dados são da International Data Corporation (IDC), órgão americano, que prevê um crescimento de 13% este ano no Brasil, mesmo com o desaquecimento da economia americana. O mercado de TI no mundo movimenta uma cifra astronômica de US$ 819 bilhões e vai crescer 9,5% em 2009. A cifra do setor corresponde a 5% do PIB americano ou todo orçamento anual do Pentágono, e representa um pouco a mais do valor utilizado pela administração Bush para salvar os EUA da crise financeira. As informações do IDC foram repassadas professora de TI da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Daniela Satomi Saito.
O Brasil cresceu 12,8% ano passado na área de TI, porém o tímido crescimento este ano reflete a falta de investimentos na formação de novos técnicos. ''Do jeito que vai, só daqui há dez anos o Paraná vai resolver a falta destes profissionais'', declara Luis Mário Luchetta, presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia de Informação, Software e Internet (Assespro-Regional Paraná). Ele calcula que até 2010 haverá uma demanda por 10 mil profissionais, porém sem perspectivas de contratação. ''As autoridades (governos) precisam cada vez mais investir nesta área. As universidades do Paraná também não estão desenvolvendo profissionais adequados para as necessidades do mercado'', pontua.
A professora Daniela considera descabida a crítica à formação de ''profissionais adequados''. Segundo ela, a universidade dá os fundamentos básicos para o aluno, já que em computação há um ''universo considerável de linguagens'' de máquina (programas). ''Há necessidade que o profissional depois se aprimore no mercado de trabalho, de acordo com as necessidades da empresa'', esclarece. Ela, porém, concorda que o país necessita atrair mais estudantes para a área, além de investir mais em escolas e cursos.
O setor viveu seu ápice nos anos 80, havendo um declínio devido grande oferta de profissionais em países como Índia, Japão e EUA. Agora, devido o crescimento de economias como Ásia, Oriente Médio, China e Brasil voltou a viver sua ''Era Dourada''. Profissionais, por conta da forte demanda dentro e fora do País, estão sendo disputados com salários que variam entre R$ 2 mil e R$ 15 mil. No Paraná, porém, a oferta salarial para início de carreira beira quando muito R$ 1 mil e pode chegar, em alguns casos, a R$ 5 mil.

Iniciativa
Por conta da falta de atrativos salariais e benefícios, estes profissionais no Paraná estão sendo disputados por mercados como os de São Paulo e Rio de Janeiro. A professora de Engenharia da Computação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jandira Guenka Palma, lembra que além do assédio das empresas de fora do Estado, o número de candidatos por vaga para o curso de Ciência da Computação diminuiu bastante. ''Em 1986 tínhamos 100 candidatos por vaga, hoje não chega a 15'', pontua.
Um programa do Governo Federal, conhecido por Arranjo Produtivo Local (APL), está sendo desenvolvido há dois anos, com investimentos da ordem de R$ 500 mil. Fazem parte 150 empresas de TI de 13 cidades da região de Londrina. O vice-coordenador de Capacitação e Qualificação, Edson Martins Lechetta, observa que a iniciativa visa criar incentivos para que o programador saído da universidade possa desenvolver seus conhecimentos e estágio de forma remunerada.

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