Déficit da Previdência sobe 63% por causa do 13º salário
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2003
Agência Folha 
Brasília O secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer, desconfia que a crise econômica obrigou parte das empresas a priorizar o pagamento do 13º salário em detrimento das contribuições previdenciárias no mês passado.
''Com o caixa mais apertado, as empresas priorizaram o 13º deixando para acertar com a Previdência mais tarde. Isso não é elogiável'', reclamou o secretário.
O resultado foi uma piora nas contas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que acumularam déficit de R$ 3,115 bilhões em novembro -63,2% superior ao déficit de outubro. Além da queda na arrecadação, a Previdência teve um aumento de 9,2% no pagamento de benefícios em relação ao ano passado.
No ano, a Previdência acumula déficit de R$ 21,665 bilhões (valor corrigido pela inflação), 28,9% a mais que em igual período do ano passado. ''O que mais prejudicou foi o mercado de trabalho. Principalmente, a queda na renda dos trabalhadores'', disse ele.
Até o final do ano, o déficit deve chegar a R$ 27,2 bilhões. Será o pior resultado da história. No próximo ano, a expectativa é que a contas fechem com um saldo negativo de R$ 29,5 bilhões, sem levar em conta um provável aumento real (acima da inflação) para o salário mínimo.
A queda na arrecadação, que foi de 6% em relação a outubro, surpreendeu Schwarzer. ''O mercado de trabalho melhorou, e a expectativa era que isso se refletisse na arrecadação das empresas.''
Neste ano, apenas o Tesouro obteve um resultado positivo nas suas contas. No mês passado, o Tesouro economizou R$ 5,458 bilhões. Devido ao déficit na Previdência, de R$ 3,115 bilhões, e no Banco Central, de R$ 26,7 milhões, o superávit do governo central foi de R$ 2,3 bilhões.
De janeiro a novembro, as receitas totais do Tesouro somaram R$ 320,867 bilhões, 11,4% a mais que no mesmo período de 2002. As despesas chegaram, por sua vez, a R$ 220,011 bilhões, 9,5% a mais que em igual período de 2002.


