Brasília - O desempenho do mercado de trabalho neste ano deve fazer com que o deficit da Previdência Social feche este ano entre R$ 35 bilhões e R$ 39 bilhões, considerando valores em termos nominais. No ano passado, esse rombo correspondia a R$ 42,7 bilhões. Segundo o secretário de Previdência Social, Leonardo Rolim, se a previsão ficar próxima dos R$ 36 bilhões, será o menor saldo negativo da Previdência Social desde 2002.
Segundo Rolim, o resultado depende do comportamento das receitas e das despesas. Por enquanto, conforme números divulgados ontem, a arrecadação líquida total cresceu 9,9% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2010, atingindo R$ 20,450 bilhões.
Já as despesas com benefícios tiveram uma ligeira desaceleração (0,2%) em relação ao mesmo mês de 2010, somando R$ 24,376 bilhões. Na comparação com julho, os gastos com benefícios tiveram um crescimento de R$ 2,4 bilhões, sendo a maior parte - R$ 2,037 bilhões - se devem à antecipação de metade do 13º salário dos benefícios previdenciários com renda mensal no valor de um salário mínimo. A diferença, conforme Rolim, está relacionada ao crescimento vegetativo, ou seja, liberação de novas concessões no mês.
No mês de agosto, o deficit da Previdência Social totalizou R$ 3,926 bilhões, o melhor resultado para o mês desde agosto de 2007. No acumulado do ano, o resultado negativo foi de R$ 25,882 bilhões que, conforme o ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, é o melhor resultado em oito meses desde 2004.
''Achei que a Previdência teve um bom resultado e que até agora revela que não há tendência de queda. Fico preocupado pelo que o Lupi (ministro do Trabalho, Carlos Lupi) disse. Espero que ele esteja equivocado e que isso não venha trazer prejuízo para a Previdência'', afirmou. O ministro Lupi admitiu recentemente que a meta de geração de três milhões de empregos dificilmente será atingida este ano, por conta da desaceleração da economia brasileira.
Garibaldi afirmou, ainda, que o governo já cogita solicitar regime de urgência para tramitação do projeto de lei que cria o fundo de previdência complementar dos servidores públicos da União. Somente assim seria possível, segundo avaliação do ministro, aprovar o texto ainda neste ano. O projeto já passou pela Comissão do Trabalho, mas ainda depende de aprovação das comissões de Seguridade Social e Família; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça, para depois seguir para o plenário da Câmara. Depois, a proposta ainda terá que ser avaliada pelos senadores.
O ministro afirmou que em algum momento esse problema precisará ser encarado, para que se tenha tranquilidade de pagamento de benefícios no longo prazo. Para ele, é ''vexatório'' continuar com um deficit dos servidores públicos da União de mais de R$ 50 bilhões, referente ao pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de um milhão de pessoas.

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