Déficit da indústria eletroeletrônica é maior
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de novembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
A indústria eletroletrônica está revendo o déficit comercial do setor, de US$ 6,8 bilhões para US$ 7,5 bilhões, segundo projeções que circulam no mercado. Os números oficiais serão anunciados pela Abinee em 7 de dezembro. A estimativa está sendo feita sobre os números de outubro, que mostram aumento do déficit. Os números fechados da balança do setor nos dez primeiros meses são de US$ 3,6 bilhões de exportações e US$ 9,6 bilhões de importações, o que resulta num saldo negativo de US$ 6 bilhões no período.
No ano passado, nos dez primeiros meses foi acumulado um déficit de US$ 5,5 bilhões. O problema crônico dos componentes eletrônicos está na raiz do déficit. Tanto que as exportações do setor como um todo continuam crescendo, chegando a mais 42% sobre o mesmo período do ano passado. Mas o aumento das importações, de 19%, foi suficiente para desequilibrar ainda mais o saldo.
Em componentes eletrônicos foram mais 40% de importações que chegaram nos dez primeiros meses do ano a US$ 5,5 bilhões, ou US$ 1,5 bilhão a mais que no período de janeiro a outubro de 1999 (total de US$ 3,9 bilhões nos dez primeiros meses do ano passado).
Só de semicondutores produtos de alta tecnologia foram comprados no exterior US$ 1,6 bilhão, um crescimento de 65%. O cenário nesse caso é muito ruim, pois de tudo o que o Brasil necessita de semicondutores, produz apenas 5%. E nesses dados sobre semicondutores não estão incluídos os gastos com processadores e memórias de computadores.
O que explica esses dados são, em parte, o crescimento da economia interna, que alavancou os setores e o consumo de telecomunicações e de informática, principalmente. Além disso, há a suspeita de que o mercado do sudeste asiático está se articulando contra a competitividade que os produtos brasileiros estão ganhando no mercado internacional.
E também a situação da economia européia, que patina num euro enfraquecido, está reduzindo o volume do mercado internacional. Mas o centro do problema do setor continua sendo a importação de componentes e a decisão que pode ser tomada para a produção no mercado interno.


