O saldo da balança comercial brasileira ficou negativo em US$ 691 milhões em 2000. Apesar do déficit, o resultado é o melhor dos últimos seis anos. Desde 1995, o Brasil vem registrando déficits acima de US$ 1 bilhão. O último superávit da balança ocorreu em 1994, atingindo US$ 10,466 bilhões. Mesmo assim, os números divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento superaram as expectativas do governo.
A meta de exportação, de US$ 56,4 bilhões, também não foi atingida. Mas o resultado das exportações no ano, que somaram US$ 55,086 bilhões, é recorde. O Brasil nunca exportou tanto, principalmente em produtos manufaturados. A corrente comercial em 2000, isto é, o fluxo de comércio contando exportações e importações, foi de US$ 110,263 bilhões. Esse volume só foi maior em 1997, quando a corrente comercial atingiu US$ 112,743 bilhões.
Por causa das oscilações do ano passado, o governo, que foi forçado a reduzir a meta inicial de superávit de US$ 5 bilhões três vezes, decidiu abandoná-las em 2001. O aumento do petróleo foi o grande vilão da balança no ano passado. Os gastos com combustíveis e lubrificantes aumentaram mais de US$ 2 bilhões em 2000, se comparados a 1999. A participação das compras de petróleo na pauta de importações brasileiras passou de 8,6% (US$ 4,257 bilhões) para 11,4% (US$ 6,362 bilhões), embora o País tenha cortado em cerca de 15% as quantidades importadas desse produto.
Este ano, a meta do governo será aumentar em 20% as exportações, chegando a pelo menos US$ 66 bilhões. Não haverá projeções para o saldo comercial. A secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola, não descarta, porém, um superávit. Este ano, as exportações cresceram 15%. ‘‘Se não fosse o aumento do petróleo, estaríamos fechando o ano com superávit de US$ 2 bilhões’’, disse.
Em 2000, as exportações de produtos manufaturados somaram US$ 32,5 bilhões, também um recorde, segundo Lytha. Em 1999, o País vendeu US$ 27,329 bilhões desses produtos com maior valor agregado. Essa diferença representa um incremento de 19%. ‘‘Dos US$ 7 bilhões a mais que o Brasil exportou em 2000 com relação a 1999, 80% foram ganhos com vendas de produtos industrializados’’, disse Lytha.
Mas o desempenho das vendas de manufaturados também foi o responsável pelo aumento das importações, que somaram US$ 55,77 bilhões, no ano passado. As importações de matérias-primas e bens intermediários, utilizados na fabricação de produtos industrializados, aumentou 18,3%.
O governo tem motivos para preocupar-se com o saldo da balança no primeiro trimestre deste ano. Nesse período, as exportações de produtos básicos são tradicionalmente fracas por causa do cronograma das safras agrícolas. Além disso, há licitações programadas para setores de alta tecnologia.

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