Nos primeiros oito meses deste ano, o Brasil importou US$ 37,952 bilhões e exportou US$ 34,924, gerando um déficit em sua balança comercial de US$ 3,028 bilhões. As cifras, divulgadas ontem, deverão ser revistas, já que uma greve de fiscais da Receita Federal atrapalhou o registro de operações comerciais no mês de agosto. Mesmo assim, especialistas acreditam que este ano, o saldo negativo ficará entre US$ 5,5 bilhões e US$ 6 bilhões.
De acordo com os dados disponíveis, nos 21 dias úteis de agosto, o Brasil importou US$ 4,652 bilhões (uma média diária de 221,5 milhões) e exportou US$ 3,986 bilhões (US$ 189,8 milhões por dia). O déficit mensal ficou em US$ 666 milhões - quase três vezes maior que o saldo negativo de agosto de 1997, de US$ 251 milhões. Mas esse desempenho está sendo atribuído à greve dos fiscais da receita.
Em 1998, o Brasil teve um desempenho melhor no exterior do que em 1997: o déficit, registrado entre janeiro e agosto do ano passado foi de US$ 4,708 bilhões. Isso, no entanto, não tem servido de consolo para o governo. Com o agravamento da crise financeira asiática, que assumiu proporções internacionais, o acesso ao capital estrangeiro ficou mais difícil e o governo sabe que precisa de recursos para tapar o buraco de US$ 32 bilhões em suas transações correntes.
Até agora, a salvação do Brasil têm sido as privatizações e os investimentos estrangeiros diretos que, segundo o Banco Central,garantirão a entrada de US$ 25 bilhões este ano. Mas estudos da Fundação Comércio Exterior (Funcex) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam para uma queda no ritmo de crescimento das exportações - uma consequência natural do desaquecimento da economia mundial.
Soma-se a isso, uma queda nos preços das commodities, que tem especial importância na pauta de exportações do Brasil e de outras economias emergentes. Por isso mesmo, esse tema será tratado numa reunião, na próxima sexta-feira, em Washington, entre o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os ministros da Fazenda e presidentes dos Bancos Centrais dos países latino-americanos com peso internacional, dos Estados Unidos e do Canadá.

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