BRASÍLIA - Forte aumento das importações, baixo desempenho das exportações e o registro atrasado de petróleo importado em janeiro resultaram em um déficit de cerca de US$ 1,2 bilhão da balança comercial do País, na primeira quinzena de fevereiro. As exportações até a última sexta-feira somaram US$ 1,330 bilhão, segundo o Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo (MICT), e as importações até sábado, US$ 2,529 bilhões, segundo técnicos do governo.
O secretário de Comércio Exterior do MICT, Maurício Cortes, disse ontem que o governo vai evitar divulgar oficialmente os números das importações em fevereiro antes do fechamento do mês, porque a estatística está inchada em função dos US$ 473 milhões em compras da Petrobras feitas em janeiro sem registro e que só estão sendo contados agora.
Em função dos problemas com a importação de petróleo, o governo divulgará, no início do março, dois números para o déficit comercial em fevereiro. Um deles refletirá as importações pelo Siscomex. O segundo, mais realista, deverá ser menor que o primeiro em US$ 473 milhões, porque estará descontando o petróleo registrado com atraso. O déficit de US$ 1,2 bilhão faz parte do número do Siscomex, que está artificialmente elevado.
Entretanto, mesmo considerando os problemas causados pelo atraso dos números da Petrobras, é significativo o tamanho do resultado negativo da primeira quinzena. É 54 vezes maior que o déficit de fevereiro do ano passado e 13% superior ao de fevereiro de 1995, quando a economia estava superaquecida, na avaliação do governo. As importações na primeira quinzena de fevereiro de 1997, de US$ 2,5 bilhões, já incluem a maior parte, mas não todos os registros atrasados de importação pela Petrobras.
O fraco desempenho das exportações pode ter sido influenciado pelo Carnaval, segundo Maurício Cortes. ‘‘Normalmente, há uma demora na retomada das exportações após um feriado’’, avalia. No entanto, as exportações na semana passada, de US$ 418 milhões, ficaram 7,5% abaixo das obtidas na semana do Carnaval de 1996.

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