A balança comercial teve uma pequena recuperação nos dois últimos dias de outubro, o que levou a um superávit na última semana do mês de US$ 89 milhões. Mas a melhora não evitou que o saldo de outubro, negativo em US$ 523 milhões, fosse o pior desde janeiro de 1999, quando o resultado das importações e exportações foi um déficit de US$ 696 milhões.
O subsecretário de Comércio Exterior, Ivan Ramalho, atribuiu a recuperação da balança às exportações, cuja média diária nos dias 30 e 31 foi de US$ 278 milhões, acima da média das demais semanas do mês, em torno de US$ 220 milhões.
Em outubro, as exportações somaram US$ 4,638 bilhões, valor 7,8% maior do que o registrado em outubro de 1999, enquanto o total das importações foi de US$ 5,161 bilhões, o que representa um aumento de 15,7% com relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo Ramalho, automóveis e aviões foram os produtos que registraram maiores exportações no dois últimos dias do mês. Mas o desempenho das vendas dos produtos manufaturados, em geral, durante o mês de outubro, foi pior do que a média de exportação desses produtos nos últimos meses.
As vendas desses produtos de maior valor agregado vinham apresentando uma média de crescimento de cerca de 22% com relação aos mesmos períodos do ano passado. Em outubro, porém, apesar do aumento de 12,3% em relação a outubro de 1999, o crescimento foi bem menor.
Ramalho não vê uma tendência nesse resultado. ‘‘O porcentual de crescimento não se mantém todos os meses, mas será bom enquanto for superior a 10%, que já é bem acima do crescimento do comércio mundial.’’
Segundo ele, uma das possíveis explicações poderia ser o aumento da demanda interna por produtos manufaturados, tendência comum de fim de ano. Ele lembrou, porém, que a maioria das exportações de manufaturados é parte de contratos de fornecimentos de longo prazo. ‘‘Essas vendas não podem ser interrompidas por causa da demanda interna’’, relativizou.
De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, o aumento das exportações de manufaturados é um dos fatores que vem influenciando a demanda por matérias-primas e insumos, cuja importação aumentou 17,4% este ano e foi responsável pela maior parcela do crescimento das importações de outubro, cerca de 60%.
‘‘A parcela de insumos importados nos manufaturados exportados pelo Brasil varia de 30% a 40%’’, disse Ramalho. Segundo ele, o preço do petróleo continuou a pressionar a balança. Os gastos com os derivados desse produto aumentaram 43 1%, com relação a outubro do ano passado.