Déficit da balança é de US$ 6,4 bi em 98
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sexta-feira, 08 de janeiro de 1999
Agência Estado 
A balança comercial brasileira teve um déficit de US$ 6,430 bilhões em 1998, com exportações de US$ 51,120 bilhões e importações de US$ 57,550 bilhões, mas mesmo assim registrou melhora no desempenho se comparado a 1997, obtendo uma redução de 23% em relação ao déficit de US$ 8,355 bilhões verificado naquele ano. Conforme dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, as exportações do ano passado ficaram 3,5% abaixo do ano de 1997, enquanto as importações tiveram uma queda de 6,2% nesse mesmo período.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio divulgou também os resultados da balança comercial de dezembro último, quando foi registrado um déficit de US$ 594 milhões, com exportações de US$ 3,944 bilhões e importações de US$ 4,538 bilhões. O resultado de dezembro foi 41% inferior ao de novembro (US$ 1,007 bilhão) e 15,9% abaixo do mês de dezembro de 1997 (US$ 706 milhões). O déficit de novembro foi o segundo mais alto do ano (o maior foi outubro com US$ 1,025 bilhão), em decorrência de exportações cujos embarques não corresponderam aos registros feitos pelos exportadores. Em função disso, o governo decidiu alterar a metodologia para este ano, passando a divulgar as duas informações - registros e embarques efetivados.
Nota distribuída ontem pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento aponta as dificuldades provocadas pela crise financeira internacional como responsável pelo encolhimento das exportações brasileiras. A expectativa inicial era a de que as vendas para o exterior ficassem no mesmo patamar de 1997, quando houve um aumento de 11% em relação ao ano anterior, e que o déficit comercial fosse reduzido à metade do verificado em 1997, ou seja, caísse para US$ 4 bilhões. A retração do comércio mundial, no entanto, provocada pela crise asiática e, mais tarde, pela moratória da Rússia, fez com que o governo viesse revisando estes números. Já em novembro, o então ministro da Indústria e do Comércio, José Botafogo Gonçalves, estimava que o déficit de 1998 ficasse em torno de US$ 6 bilhões.
Conforme a nota técnica da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, o desempenho das exportações em 1998 deve ser analisado em dois momentos: o primeiro semestre, quando o setor de manufaturados ainda registrava o impulso alcançado no ano anterior, com uma receita 14,3% superior a 1997, fazendo com que as vendas externas dos seis primeiros meses do ano tivessem um crescimento de 4,8% sobre igual semestre de 1997; e o segundo semestre, quando as reduções de 9,8% nas vendas de produtos básicos e de 10,2% nos manufaturados, levaram as exportações a uma queda de 10,8% em relação ao período julho/dezembro/97.
Para os técnicos da Secretaria de Comércio Exterior, o resultado do último semestre seguiu a tendência de retração da economia mundial diante da crise asiática e da moratória da Rússia , em agosto. A retração da demanda mundial, diz a nota, fez com que o próprio Fundo Monetário Internacional tivesse que rever a sua estimativa de crescimento para a produção mundial em 1998, que era de 3,1% em maio, para 2,2% em dezembro. A queda dos preços internacionais para as commodities - estimada em 7,4% em maio pelo FMI e depois em 15,6% em dezembro, atingiu também o setor de manufaturados, com reflexos especialmente sobre a demanda de países da América Latina, para onde vão 40% das exportações brasileiras de manufaturados. Essa retração, diz a nota, fez com que o setor, que vinha apresentando crescimento positivo, de 14,3% em janeiro/junho-98/97, caísse para para 10,3% na comparação julho/dezembro-98/97.


