Déficit comercial dos EUA bate novo recorde
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sexta-feira, 18 de outubro de 2002
Agência Folha 
São Paulo - O déficit comercial norte-americano disparou para US$ 38,46 bilhões em agosto, o maior valor nominal já registrado pelo país. O aumento no preço do petróleo e o crescimento na importação de produtos como roupas, brinquedos e eletrônicos foram os principais fatores que provocaram a deterioração das contas externas norte-americanas.
De julho para agosto, o saldo negativo saltou 9,7%, de acordo com o Departamento de Comércio dos EUA. Naquele mês, o déficit ficara em US$ 35,07 bilhões. Na conta do governo norte-americano são incluídas as trocas de mercadorias e também de serviços.
O déficit cresceu principalmente em relação à China, a Taiwan, ao México e a países exportadores de petróleo. Mas recuou ante a União Européia e o Japão.
Brasil ganha - O saldo positivo brasileiro recuou um pouco, de US$ 442 milhões, em julho, para US$ 397 milhões, em agosto. Mas o superávit no ano já é de US$ 1,7 bilhão, ante um déficit de US$ 1,27 bilhão no mesmo período do ano passado.
A América Latina ampliou seu superávit com os norte-americanos em cerca de 8% em agosto, enquanto no acumulado dos oito primeiros meses do ano o salto já é de 31% em comparação a igual período de 2001.
Em agosto, o superávit mexicano bateu um recorde histórico e atingiu US$ 3,5 bilhões. A China também teve um saldo recorde de US$ 10,86 bilhões.
De um modo geral, as importações norte-americanas cresceram 2% em agosto, para US$ 120,32 bilhões, o nível mais alto em 17 meses. As exportações recuaram 1,3%, para US$ 81,86 bilhões.
''A demanda de importados dos norte-americanos é insaciável'', disse Ken Mayland, presidente da consultoria ClearView Economics. ''Pelo menos a economia está crescendo.'' Mas boa parte dos economistas não compartilha do otimismo de Mayland. Os crescentes déficits norte-americanos tornam o país mais dependente de investimentos externos, o que poderia provocar uma desestabilização dos mercados financeiros mundiais.
Para que o dólar não se desvalorize, os EUA precisam receber US$ 1 bilhão em investimentos ao dia. Com a crise de credibilidade que corroeu a imagem das empresas dos EUA, houve uma fuga de investidores estrangeiros, o que se refletiu em uma ligeira depreciação do dólar ante o euro e o iene e na queda das Bolsas.
Se o país deixar de receber o mínimo de capital necessário para financiar suas contas, o Federal Reserve (banco central dos EUA) poderia elevar as taxas de juros, o que secaria ainda mais os recursos externos para países como o Brasil.


