Déficit comercial de fevereiro deverá superar US$ 1,5 bilhão
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sexta-feira, 07 de março de 1997
Agência Folha 
BRASÍLIA - O saldo da balança comercial em fevereiro teve déficit (importações acima das exportações) de pelo menos US$ 1,5 bilhão, conforme a Agência Folha apurou. O déficit deve se repetir este mês. Com o resultado, o saldo da balança comercial nos dois primeiros meses acumula déficit de, no mínimo, US$ 2 bilhões. O déficit de fevereiro deve ser divulgado oficialmente na próxima semana.
Nos primeiros 35 dias úteis deste ano (até 23 de fevereiro), a balança comercial já teve um déficit de US$ 1,621 bilhões, segundo dados já divulgados pelo governo. As exportações ficaram em US$ 5,951 bilhões e as importações em US$ 7,572 bilhões.
O governo conta um melhor desempenho das exportações somente a partir de abril, principalmente com um aumento das vendas para o exterior de produtos agrícolas: espera-se uma safra acima de 81 milhões de toneladas.
Queremos um crescimento das exportações, mas até agora elas ainda estão rateando, disse o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros. O governo adotou diversas medidas de incentivo às exportações no ano passado e espera que elas surtam efeitos este ano. Mesmo assim, sabe-se que o resultado deste ano será um déficit na balança comercial.
Entre as medidas para incentivar as exportações, o governo conseguiu dos estados a isenção do ICMS para produtos básicos e semi-elaborados. Com uma projeção de safra elevada e essa redução de custos, o governo espera que a exportação de produtos agrícolas tenha um papel importante para melhorar o desempenho da balança.
Assim como os demais integrantes da equipe econômica, o secretário diz que não há estimativas para o ano. O governo já trabalharia com a possibilidade do déficit ficar acima de US$ 8 bilhões.
O ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega disse que um déficit próximo de US$ 2 bilhões em janeiro e fevereiro indica uma tendência de um saldo negativo de US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões no ano. Isso pode deixar o País vulnerável, mesmo que haja financiamento externo, afirmou ele.
Para ele, o governo terá que ter um quadro definido entre abril e maio. O governo terá que fazer um ajuste suave no crédito e reduzir as formas de financiamento para diminuir o consumo interno. Ao reduzir o consumo interno, o governo pode também forçar uma queda das importações, disse o ex-ministro. Para ele, o governo continuará incentivando as exportações e não deve mudar a política cambial.


