Déficit comercial
- Representantes dos principais setores da agroindústria alimentícia que participaram ontem do Fórum de Comércio Exterior, em Brasília, saíram mais do que convencidos de que o governo está disposto a restringir as importações de matérias-primas com exeção apenas do trigo, mesmo assim tentará reduzir a dependência externa revendo as reais necessidades do grão. Milho, soja e carne, pelo draw back, sofrerão restrição maior. Importação de milho, nem pensar.
- O governo quer restringir ao máximo as importações do setor primário que é mais flexível. Mesmo assim, está pedindo esforço das empresas no sentido de reduzir as importações também na indústria de base, mesmo que isto signifique a suspensão de investimentos tecnológicos e o adiamento de projetos de automação. É o esforço para equilibrar a balança comercial. Podem estar embutidos aí aumentos de alíquotas de importação de fibra de algodão. Representantes das indústrias têxtil saíram do encontro, ontem, admitindo essa hipótese.
- O têxtil e o milho, ao contrário do trigo, fazem parte da pauta dos flexibilizáveis, aqueles setores que suportam o adiamento ou a oneração do custo das importações, justamente como fato inibidor dessas operações.
- O governo age em duas vertentes para tentar o equilíbrio da balança: redução das importações e incentivo às exportações. Mesmo que tenha de atacar o chamado Custo Brasil perante o qual o governo FHC tem capitulado. Ontem, a tônica do Fórum foi a disposição de dobrar os recursos disponíveis para financiar as exportações em 1997. A intenção é estimular as vendas ao exterior e, assim, controlar o aumento do déficit comercial no próximo ano. Além disso, está elaborando políticas de incentivo para as indústrias que se tornarão fornecedoras dos setores estatais que estão sendo ou serão privatizados.
- O governo quer fazer com que os investimentos para a compra de máquinas,
insumos e equipamentos não sejam totalmente destinados ao mercado externo, o que aumentaria as importações e prejudicaria ainda mais o desempenho da balança comercial. As duas medidas foram mencionadas por técnicos do Ministério da Indústria e do Comércio.
- A preocupação não é para menos. E quem ainda acha que o governo vai importar alimentos - afrouxando as restrições a que está disposto a recorrer - basta observar os números: de janeiro a outubro deste ano, a balança registra um déficit de US$ 2,9 bilhões. Na proposta de Orçamento da União para 1997, o financiamento às exportações deve ficar com R$ 1,093 bilhão, que pode não sair
integralmente do papel. Neste ano, foram destinados R$ 484 milhões a esse fim, a menor cifra dos últimos três anos. Foram gastos, até outubro, apenas R$ 109 milhões.





