As operações de comércio e serviços que o Brasil realiza com o exterior - as chamadas transações correntes - fecharam o primeiro trimestre do ano deficitárias em 3,24% do Produto Interno Bruto (PIB), o correspondente a R$ 6 bilhões. Este resultado significa uma melhora em relação ao mesmo período do ano passado quando o déficit ficou em 3,56%, ou R$ 6,7 bilhões. Considerando somente o mês de março, no entanto, a situação é de piora destas contas, pois o déficit chegou a US$ 2,45 bilhões no mês passado, ante os US$ 2,34 bilhões de março de 1997.
No período de 12 meses encerrados em março, as transações correntes também apresentaram leve piora tendo fechado deficitárias em 4,09% do PIB. Nos 12 meses até fevereiro este resultado havio sido de 4,07%. Essa conta era de US$ 32,6 bilhões em fevereiro e cresceu para US$ 32,7 bilhões de março.
Embora os pagamentos previstos indiquem que a conta de juros, este ano, será maior que os valores pagos em 1997, o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, garante que o resultado das transações correntes será melhor. ‘‘O déficit será menor que os 4,16% (do PIB) registrados no ano passado’’, afirmou.
Para isso, Lopes conta com uma melhora no desempenho da balança comercial e com queda, tanto nas remessas de lucros e dividendos para o exterior, como também nos gastos feitos por brasileiros em viagens internacionais. No último trimestre, enquanto o déficit da balança comercial foi de US$ 1,56 bilhão, na conta de serviços este resultado chegou a US$ 4,92 bilhões.
As maiores pressões foram da conta de juros que, nos primeiros três meses de 97, tinha ficado deficitária em US$ 970 milhões mas, no primeiro trimestre deste ano, saltou para US$ 1,48 bilhão.
Os serviços também foram pressionados pelas remessas de lucros e dividendos, com saldo negativo de US$ 973 milhões e pelas viagens internacionais, que tiveram déficit de US$ 905 milhões. Estes desempenhos, no entanto, foram melhores que os obtidos nestas duas contas no primeiro trimestre de 97. Naquele período o déficit nas remessas de lucros e dividendos foi de US$ 1,34 bilhão, enquanto nas viagens internacionais o resultado foi negativo em US$ 992 milhões.
Lopes admitiu, no entanto, que a melhora nas remessas no primeiro trimestre ocorreu porque, em decorrência da crise asiática, as empresas optaram pela antecipação das remessas. Em novembro e dezembro do ano passado as remessas enviaram, respectivamente, US$ 825 milhões e US$ 692 milhões para o exterior.

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