As contas externas do Brasil pioraram no primeiro semestre deste ano. O déficit em conta corrente - que registra todas as despesas e receitas com o exterior, incluindo pagamento de juros - atingiu US$ 15,62 bilhões. No mesmo período do ano passado, o déficit era a metade, US$ 7,67 bilhões. Até junho, o déficit em conta corrente acumulado nos últimos doze meses ficou em 4,19% do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no País).
No mês anterior, o déficit estava em 4,07%. A equipe econômica trabalha com um resultado negativo neste ano de 4,5% do PIB. As reservas internacionais no Banco Central também caíram. Pelo conceito de caixa, elas passaram de US$ 58,459 bilhões em maio para US$ 56,795 bilhões no mês passado. Uma queda de US$ 1,664 bilhão. Pelo conceito de liquidez internacional - que inclui os recursos em caixa, mais recebimentos previstos a médio e longo prazos -, as reservas caíram de US$ 59,279 bilhões em maio para US$ 57,6l5 bilhões em junho. O aumento do déficit significa que o Brasil vai precisar de mais capital externo para cobrir o rombo, ou terá de queimar mais reservas internacionais.
Um bom resultado nas contas externas é fundamental para a sobrevivência do Plano Real, baseado numa âncora cambial. O câmbio está sobrevalorizado, estimulando as importações para forçar uma queda nos preços internamente. A deterioração das contas externas provocou a crise que atingiu países da Ásia nos últimos dias Tailândia, Filipinas e Indonésia foram obrigados a desvalorizar sua moeda, para reduzir a fuga de recursos externos. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, disse que o déficit não é preocupante, porque está sendo financiado por recursos de boa qualidade, que são os investimentos diretos das empresas estrangeiras no País.
A captação de recursos externos aumentou 44% em relação aos seis primeiros meses de 96. De janeiro a junho deste ano, o total foi de US$ 52,06 bilhões, contra US$ 36,16 bilhões em 96. No entanto, se está entrando mais capital externo, há também uma remessa maior de lucros e dividendos para o exterior. No primeiro semestre de 96, foram enviados US$ 380 milhões para os países de origem. Neste ano, a remessa chegou a US$ 2,37 bilhões. ‘‘No crescimento mês a mês, não há nada de explosivo’’.
Segundo ele, a perspectiva de melhora da balança comercial trará um impacto positivo nas transações correntes. Altamir Lopes disse que a queda nas reservas foi provocada pelo acúmulo de pagamento de dívidas externas. No mês passado venceram euroienes lançados em junho de 95. Só com esses títulos, o gasto chegou a US$ 728 milhões. O governo pagou também US$ 538 milhões ao Clube de Paris.

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