O déficit da balança comercial em março foi de US$ 818 milhões, com as exportações atingindo US$ 4,273 bilhões e as importações ficando em US$ 5,091 bilhões. Com isso, o déficit acumulado no primeiro trimeste foi de US$ 1,565 bilhão, bem menor do que o resultado negativo de US$ 2,476 bilhões registrado nos três primeiros meses de 1997. Os números foram divulgados ontem pelo Ministério da Indústria, Comércio e Turismo (MICT).
Mesmo contrariando a expectativa do mercado, que chegou a projetar um déficit de apenas US$ 200 milhões para março, o resultado negativo registrado no mês passado de US$ 818 milhões ainda é melhor do que os US$ 877 milhões de março de 97. No entanto, as importações mostraram um ritmo muito forte nos dois últimos dias úteis do mês, com a média diária chegando a US$ 279 milhões.
A média diária das exportações em março foi de US$ 194,2 milhões, contra uma média diária de US$ 231,4 milhões das importações. A média diária das exportações manteve-se praticamente a mesma registrada nos meses de janeiro e fevereiro, que foi de US$ 195,6 milhões. No caso das importações, houve um aumento em relação à média diária dos dois primeiros meses deste ano, que foi de US$ 214,8 milhões.
O ex-ministro da Indústria, Comércio e Turismo Francisco Dornelles está convencido de que o resultado da balança comercial este mês será bem melhor do que o registrado em março, principalmente por causa do início das exportações do complexo soja. Mas não arrisca prever um superávit. Para ele, que deixou o governo na quarta-feira, se o déficit comercial deste ano for reduzido à metade daquele registrado em 97, que foi de US$ 8,372 bilhões, ‘‘será um excelente resultado’’.
Dornelles disse que o bom resultado obtido em fevereiro, quando a balança comercial registrou um déficit de apenas US$ 85 milhões, decorreu da parada que foi feita pelo governo nas importações de alguns setores que estão sujeitos ao regime de cotas.
Treze setores industriais estão atualmente sujeitos ao regime de cotas, entre eles o de automóveis, autopeças e têxtil. A cada semestre é necessário averiguar se os limites estabelecidos para as compras externas destes setores foram cumpridos. Nova parada para medir as cotas será feita em agosto ou setembro.
Em março, as importações dos setores que estão sob regime de cotas foram ‘‘soltas’’ e as compras externas totais do País superaram os US$ 5 bilhões. ‘‘Acreditávamos que esse aumento das importações no mês passado pudesse ser compensado pelo início da comercialização da soja’’, explicou Dornelles. ‘‘Mas, infelizmente, o início das venda da soja só ocorrerá este mês.’’
O ex-ministro procurou minimizar o resultado obtido na balança comercial em março. ‘‘O importante é verificar que no primeiro trimestre deste ano nós reduzimos o déficit da balança quase à metade daquele registrado no mesmo período do ano passado’’, afirmou.

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