As contas externas do País tiveram uma pequena piora em junho e fecharam o primeiro semestre distantes das metas da equipe econômica. No período de 12 meses encerrado em junho, o déficit nas transações de bens e serviços com o exterior chegou a US$ 32,495 bilhões, o equivalente a 4,06% do PIB (Produto Interno Bruto, medida das riquezas produzidas no país). Até maio, o déficit medido pelo mesmo critério estava em 4,05% do PIB, ou US$ 32,354 bilhões.
Há uma ligeira melhora em relação aos resultados do ano passado, mas abaixo das expectativas da equipe do Ministério da Fazenda e do Banco Central. No ano passado, quando elevou os juros e lançou um pacote fiscal para responder à crise asiática, o governo estimou reduzir pela metade o déficit de 4,16% do PIB registrado em 1997. Agora, fala-se em fechar 1998 com déficit entre 3,5% e 3,8% do PIB.
O déficit em transações correntes leva em conta a balança comercial (exportações menos importações), a balança de serviços (pagamento de juros, remessa de lucros e dividendos, viagens internacionais e outros) e as transferências voluntárias de recursos entre países. O resultado indica a dependência do País em relação ao capital externo. Para compensar o déficit, o País precisa atrair investimentos estrangeiros para não perder suas reservas em moeda forte.
Desde a crise ocorrida no México em dezembro de 1994, o governo brasileiro tem tentado controlar o déficit corrente, que cresceu após o Plano Real em razão da disparada das importações.
Se for levado em conta apenas o resultado do primeiro semestre, houve melhora em relação ao mesmo período do ano passado: o déficit caiu de 3,8% do PIB (US$ 14,852 bilhões) para 3,59% do PIB (US$ 13,903 bilhões). Espera-se, porém, um aumento do déficit comercial no segundo semestre, porque o aquecimento da economia e o aumento do consumo no final do ano estimulam as importações.
O déficit no primeiro semestre diminuiu porque o déficit na balança comercial caiu 45,76%, e o do turismo internacional, 10,09%. Esse resultado foi conseguido, em parte, com a alta das taxas de juros internas, aumentadas em outubro do ano passado para impedir a fuga de capital estrangeiro aplicado no Brasil.
Os juros mais altos reduziram o consumo e as despesas com turismo (viagens internacionais). Os pagamentos de juros da dívida externa tiveram um crescimento de US$ 500 milhões, passando de US$ 12,264 bilhões para US$ 12,764 bilhões. As remessas de lucros e dividendos ao exterior cresceram 16,57%, passando de US$ 2,377 bilhões para US$ 2,771 bilhões.

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