Déficit atinge 4% do PIB em agosto
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sexta-feira, 25 de setembro de 1998
Agência Folha 
O déficit em transações correntes, indicador da dependência do País em relação aos capitais estrangeiros, voltou a crescer em agosto, revertendo a tendência de queda verificada no mês anterior. O déficit externo atingiu 4,09% do PIB (Produto Interno Bruto, total das riquezas produzidas no País) nos 12 meses encerrados em agosto, contra 3,98% do PIB em julho. O Banco Central prevê novo aumento do déficit em setembro. O déficit piora em setembro, devido ao nervosismo provocado pela crise, mas depois volta ao normal. A expectativa é que feche o ano entre 3,5% e 3,8% do PIB, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
O déficit de 4,09% do PIB significa que, entre setembro de 1997 e agosto de 1998, as despesas do Brasil em suas transações com outros países superaram as receitas em US$ 32,390 bilhões. Esse é um dado que revela a dependência do País em relação a capitais estrangeiros porque, quando registra despesas maiores que receitas, o país é obrigado a tomar empréstimos no exterior ou a receber investimentos para cobrir a diferença.
As transações correntes incluem a balança comercial (importações menos exportações), os serviços (juros da dívida externa, remessa de lucros, turismo internacional etc.) e as chamadas transferências unilaterais (dinheiro remetido ao Brasil por residentes no exterior, sem relação comercial ou financeira).
Entre esses itens, os que mais pesaram no aumento do déficit em agosto
foram a balança comercial (crescimento de 165%, comparado ao mesmo mês de 1997) e os gastos com juros (aumento de 119%). Segundo Lopes, o déficit comercial cresceu por causa da greve dos fiscais da Receita Federal, que represou exportações. Já os gastos com juros aumentaram porque a dívida externa é maior (atingiu US$ 228 bilhões em junho).
Lopes prevê uma nova deterioração nas contas externas em setembro porque as remessas de lucros e dividendos aumentaram. A saída desse item já atingiu US$ 1,258 bilhão até 24 de setembro, contra US$ 384 milhões em agosto. Segundo ele, a crise fez empresas estrangeiras anteciparem a remessa de lucros em setembro. É facultado às empresas fazer antecipações sobre o balanço do final do ano. Se o lucro não se realizar, as empresas trazem de volta, disse.
As reservas em moeda estrangeira do BC fecharam em US$ 67,333 bilhões em agosto, pelo conceito de liquidez internacional, que inclui dinheiro em caixa e créditos de médio e longo prazos. Em relação ao mês anterior, houve uma perda de US$ 2,877 bilhões. Pelo conceito de caixa, que considera apenas moeda forte prontamente disponível, as reservas fecharam em US$ 66,480 bilhões. Dois fatores explicam a queda de reservas: a fuga de dólares provocada pela moratória russa e o déficit em transações correntes. No mês, US$ 4,139 bilhões abandonaram as Bolsas de Valores e US$ 1,880 bilhão saiu pelas contas CC-5, mantidas por residentes no exterior.


