O rombo das contas públicas argentinas é maior que o déficit fiscal divulgado pelo governo e acertado com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Segundo contas do governo, o déficit fiscal em 98 foi de US$ 3,8 bilhões. Estimativas de centros de estudos argentinos afirmam que o déficit real foi de cerca de US$ 11 bilhões no ano passado.
Segundo Martin Redrado, presidente da Fundação Capital, para calcular o déficit real argentino, é preciso subtrair a dívida pública do início do ano da dívida pública do final do ano. ‘‘Esse valor revela quanto o governo teve que pegar emprestado para pagar suas contas’’, diz Redrado. Na Argentina, o aumento da dívida pública e o valor do déficit não coincidem, pois há gastos do governo que não aparecem no Orçamento, afirma o presidente da Fundação Capital.
Hernán Hirsch, economista do Instituto Broda, afirma que ainda não foi possível verificar quais seriam esses gastos. O Instituto Broda concorda com a análise da Fundação Capital.
Para este ano, a Fundação Capital estima que a dívida pública vai crescer cerca de US$ 10 bilhões. O Instituto Broda estima que a dívida total argentina chegará a US$ 121,4 bilhões no final do ano, o que significaria um incremento de US$ 9,1 bilhões.
O valor é superior aos US$ 5,1 bilhões acertados com o Fundo. Mesmo utilizando metodologia do governo, ambos os centros de estudos acreditam que o rombo das contas públicas será maior do que prevê o governo.
O Instituto Broda reviu seus cálculos e estima um déficit de US$ 6,4 bilhões. A estimativa anterior era de US$ 5,95 bilhões. ‘‘A arrecadação do governo vai cair mais que o esperado’’, afirma Hirsch.
Segundo ele, o governo perderá US$ 2,6 bilhões de impostos devido a uma queda estimada de 2,5% do PIB. O governo trabalha com uma queda de PIB de 1,5% e uma queda de arrecadação de US$ 2 bilhões. A Fundação Capital, por sua vez, estima um déficit, utilizando a metodologia oficial, de US$ 5,45 bilhões para 99.

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