Deficientes querem lei cumprida
Carmem Murara
De Curitiba
Os deficientes auditivos ligados à Associação de Defesa e Assistência à Pessoas em Tratamento Especial (Adapte) lançaram ontem, em Curitiba, a segunda etapa de uma campanha estadual para convencer os empresários a dar emprego a pessoas que tenham algum tipo de deficiência. Eles querem sensibilizar micro, pequenos e grandes empresários a cumprirem a lei federal, que obriga a contratação de até 5% de deficientes para o caso de empresas com mais de 500 funcionários. O programa é chamado de Sistema de Geração de Oportunidades (Sigo).
Pela lei aprovada em 1991, empresas com até 100 funcionários deveriam ter 2% de deficientes em seu quadro funcional. Empresas que tenham entre 100 e 400 empregados têm de contratar até 3% de deficientes e acima de 500 funcionários o índice vai para 5%. Apesar da obrigatoriedade, raras são as empresas que cumprem a lei e a causa em muitas situações é o preconceito.
Alguns grupos no Paraná, como a Electrolux e a rede de supermercados Mercadorama já romperam esta barreira e participam do programa há quase cinco anos, período em que a associação conseguiu colocar 40 surdos no mercado de trabalho. Quem contratou diz que eles produzem o dobro em relação a quem não tem deficiência, disse ontem o presidente da Adapte, Marco Antonio Arriens.
A Associação tem hoje 100 deficientes auditivos cadastrados e todos batalham para conseguir emprego. Em todo o Estado, há cerca de 137 mil surdos, sendo que 20 mil estão em Curitiba. A estimativa é feita com base nos dados da Organização Mundial da Saúde, que calcula que 1,5% da população sofre de deficiência auditiva.
Segundo a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, 426 portadores de deficiência foram inseridos no mercado profissional no ano passado. Estamos trabalhando para colocar cerca de mil por ano, afirmou ontem o secretário Alex Canziani.





