Curitiba – Há dois anos, Wagner de Jesus Baptista, 53 anos, deficiente físico, tentou comprar um carro com isenção de impostos (IPI e ICMS), conforme prevê a legislação nestes casos. Em vez de sair motorizado, foi informado que não poderia adquirir o veículo porque constava na Receita Federal que sua empresa, a W.J. Baptista Componentes Eletrônicos, estava devendo impostos para a União e Estado.
Baptista, na verdade, foi usado como ‘‘laranja’’ na abertura de três firmas no Paraná, todas registradas na Junta Comercial do Estado, onde constam seus dados, cópias de documentos e assinaturas falsas como sócio das empresas. Só na W.J., aberta em 1994 em Rolândia (25 quilômetros a oeste de Londrina), ele apurou que uma das dívidas chegava a R$ 70 mil.
Seu nome também consta como sócio da Sepa Plásticos Indústria e Comércio Ltda. - aberta em 1990 em Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina); e da GC Rego Filho & Cia Ltda., registrada desde 1995 na Junta Comercial de Londrina, com sede em Jandaia do Sul (18 quilômetros a oeste de Apucarana). Em contato com as juntas comerciais destas cidades, a Folha apurou o registro de outros sócios nas empresas. Mas ninguém sabe dar informações sobre as empresas.
Maria de Fátima Bonilha é mulher de Antonio Fernando Pascoal de Souza, residente em Cambé, que consta como sócio da Sepa. Segundo ela, a empresa - aberta em sociedade com Paulo Rogério Sella - fabricava sacolas plásticas, mas foi vendida há oito anos.
O interessante é que Wagner Baptista nunca esteve no Paraná. Ele mora em São Paulo e trabalha desde 1970 da Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp). Para resolver a sua situação, ele recorreu à Junta Comercial do Paraná (Jucepar) e também entrou com reclamações na Corregedoria, Ministério Público do Paraná e Procon.
‘‘A Receita disse que eu tinha que pegar um advogado, mas vou gastar uns R$ 10 mil com isso’’, reclama Baptista, sem saber o que fazer para ‘‘limpar o seu nome’’. O presidente da Junta Comercial do Paraná, João Luiz Rodrigues Biscaia, recomenda que ele entre em contato com o Ministério Público e peça o cancelamento das empresas, através da abertura de ações na Justiça.

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