Brasília A Vasp ganhou mais seis meses para regularizar a sua situação com o governo federal. O Ministério da Defesa enviou ontem para a Presidência da República a proposta de decreto que prorroga por mais seis meses a concessão para que a empresa aérea continue voando.
Para obter a prorrogação, a Vasp entregou ao ministério uma plano de recuperação da empresa, que inclui ajuste de novos horários de transporte e um proposta de renovação da frota da empresa, a começar pela importação de seis aeronaves Boeing 737-300. A Vasp também formalizou junto ao Departamento de Aviação Civil (DAC) solicitação para importar os equipamentos citados.
O prazo para a assinatura do atual contrato de concessão da Vasp com o DAC venceria no próximo domingo. Se não entregasse um plano de recuperação da companhia até lá, a Vasp perderia sua concessão e seria iniciado um processo de suspensão gradual dos vôos da empresa.
Demissões A Vasp se comprometeu a reverter 200 demissões realizadas no começo da semana. Em compensação, a companhia vai abrir um programa de demissão voluntária (PDV) para incentivar o desligamento de funcionários interessados em sair. Segundo a entidade, esse compromisso foi firmado em mesa-redonda onteme na Delegacia Regional do Trabalho (DRT). ''Com isso, a empresa passa a atender o acordo firmado com o sindicato para acabar com a greve'', disse o diretor do sindicato, Ariovaldo Panadés.
Em nota oficial, a empresa informa que os aeronautas terão um prazo de 30 dias para formalizarem suas adesões ao PDV. ''Ao final desta etapa, os interessados terão mais um mês para apresentar a documentação necessária e, no término deste prazo, mais 30 dias para a homologação rescisória.'' Durante estes 90 dias, os optantes do PDV receberão um salário fixo e estarão à disposição da escala de vôos da empresa. De acordo com o sindicalista, a reversão das demissões coloca fim à ameaça de greve da categoria. Uma nova paralisação poderia ser decidida hoje.
Além da questão trabalhista, a Vasp enfrenta diversos problemas. Um deles é a ameaça da Infraero de passar a cobrar à vista as taxas de embarque a partir da próxima quarta-feira. A estatal quer cobrar na Justiça as taxas atrasadas.
A GE Celma e a GE Varig entraram com pedidos de falência da empresa por dívidas não pagas de serviços de manutenção de aeronaves. O juiz da 42 Vara Cível Central da Capital, Carlos Henrique Abrão, deu 24 horas de prazo a partir da citação para a Vasp saldar dívida no valor de R$ 9,126 milhões, sob pena de ter a falência decretada. A quantia deverá ser acrescida de juros, correção monetária e honorários dos advogados.
Além disso, a Justiça do Trabalho deu dez dias de prazo para a Vasp reconhecer uma dívida de R$ 14 milhões referente à irregularidades trabalhistas, como o não pagamento do FGTS e horas extras.
Pesa contra a Vasp ainda o pagamento dos combustíveis. Há rumores de que os fornecedores também teriam passado a cobrar o pagamento do combustível à vista, o que piora ainda mais o fluxo de caixa da companhia aérea.

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