A chegada de um bebê requer planejamento. Além dos cuidados médicos com a gestação, os pais se preocupam com cada detalhe do enxoval e do quarto. Tudo tem que estar pronto até o nascimento da criança. No entanto, é importante lembrar que a escolha dos móveis deve ser bem analisada. Peças que serão usadas pelas crianças têm que seguir padronização técnica e devem ser bem montadas no ato da entrega. Cuidados às vezes simples mas que podem evitar problemas futuros.
Esse foi o caso da psicanalista Fernanda Cristina de Oliveira e Silva. Depois de pesquisar indústrias que trabalham com a linha infantil, de escolher os móveis, fazer a compra e pagar antecipamente em parcela única, quando foram entregues as peças - uma cômoda, um berço, uma bicama e uma poltrona de amamentação - apresentaram problemas que, segundo ela, não foram solucionados pelo fabricante e pelo comerciante (que são os mesmos). Depois de várias tentativas de acordo, agora, a questão será discutida no Juizado de Pequenas Causas. O casal quer a devolução do dinheiro.
Os problemas, segundo ela, começaram durante a montagem dos móveis. Fernanda relata que a cômoda foi toda riscada e que ficou sem enquadramento. Além disso, as duas portas - de correr - apresentaram vãos facilitando a passagem de poeira e insetos. Também ficou constatado espaço entre as gavetas e os puxadores estariam soltos, apenas encaixados. Já as peças do berço não teriam cantos arredondados e o estrado apresentaria farpas. Problemas com o estrado também foram encontrados na bicama, com farpas e uma pequena parte escurecida.
Irritados com o problema, logo no início o casal quis desfazer o negócio, o que não foi aceito. O proprietário da loja verificou pessoalmente cada reclamação e enviou um marceneiro da indústria para fazer o conserto. ''O marceneiro da própria indústria disse que a cômoda não dava mais enquadramento por falha na montagem e disse que o estrado do berço era deste jeito. Ele anotou todos os problemas e levou para a indústria'', comentou. Depois da visita do marceneiro, o fabricante solicitou fotos dos móveis para agilizar o conserto.
''Depois disso decidimos parar de tentar negociar. Achamos que eles estavam de brincadeira com a gente'', afirmou Fernanda. A reportagem procurou o Comitê Brasileiro de Mobiliário, ligado à Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com o intuito de conhecer as normas que ditam a fabricação de móveis. Embora não sejam obrigatórias, os conceitos determinam um padrão de qualidade. Segundo a secretária-chefe do Comitê, Clélia Elisa Bassetto, não há normas que determinem a produção de cômodas. Questionada sobre os vãos apresentados nas portas e entre as gavetas, ela disse que brinquedos, por exemplo, não podem ter vãos por onde passem dedos ou mãos de crianças.
A ABNT definiu a produção de berços há sete anos. As madeiras utilizadas, por exemplo, devem ser isentas de apodrecimento, ataque de insetos e produtos químicos como o pentaclorofenol e seus sais. ''Em hipótese nenhuma a madeira pode ter sido atacada por fungos ou insetos. Farpas também não podem haver, em absoluto'', observou. Além disso, ela acrescentou que qualquer móvel deve ter bordas arredondadas em 2,5 milímetros nos raios que ficam em contato com os usuários.

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