Defeito adia funcionamento de unidades em Itaipu
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de novembro de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Itaipu Binacional terá que adiar o início do funcionamento de duas unidades geradoras de energia, que tinham previsão de entrar em operação até o final do primeiro semestre de 2004. Técnicos da empresa constataram defeitos de fabricação em uma peça da unidade 9A, além de identificar vestígios de defeito semelhante na 18A, a última unidade em processo de instalação. O atraso não afeta a produção de energia pela Itaipu, mas a direção da binacional deve aplicar multa ao Consórcio Ceitaipu, contratado para instalação e funcionamento das unidades, pelo não cumprimento dos prazos estabelecidos.
As unidades em instalação completam o projeto original da maior usina hidrelétrica do mundo, das 18 unidades atuais para 20. Com isso, a potência instalada da usina aumentaráde 12.600 MW (megawatts) para 14.000 MW. Mas isso não significa que Itaipu passará a produzir mais energia. O objetivo, com essas duas novas unidades, é melhorar o rodízio das máquinas em operação e manutenção, o que resultará em melhorias no atendimento à demanda do sistema elétrico nos horários de pico de consumo.
O problema constatado pelos técnicos foi uma trinca na cruzeta inferior da unidade 9A. Eles também encontraram vestígios de que pode haver problema semelhante na cruzeta da 18A. Segundo a assessoria de imprensa da binacional, ''tratam-se aparentemente de defeitos de fabricação, que devem ser solucionados pelo consórcio Ceitaipu''.
Essas cruzetas, que servem de suporte para o rotor peça que faz a turbina girar já estavam instaladas no fundo do poço, tecnicamente chamado de ''berço''. Elas terão que ser retiradas do ''berço'' das unidades geradoras. A direção da Itaipu ainda não informou se as peças poderão ser consertadas no local ou se terão que ser levadas até a fábrica da Siemens, em São Paulo.
O consórcio, contratado em licitação ao preço de US$ 184,6 milhões, é liderado pela Alstom e tem participação de outras grandes empresas mundiais, dentre as quais a Voith-Siemens, responsável direta pela instalação de todos os componentes dessas máquinas. Pelo contrato, o Consórcio Ceitaipu tem responsabilidade total pela instalação e funcionamento das novas unidades (turn-key) e multas pelo não cumprimento de prazos fixados para as várias etapas da execução do projeto.
A diretoria da empresa no Brasil aguarda, agora, o relatório que o consórcio vai apresentar, até o próximo dia 4, informando detalhes técnicos do incidente. Em seguida, vai aplicar as sanções previstas pelo contrato. A multa neste caso poderá chegar a US$ 4 milhões, e não US$ 4 bilhões, como divulgou equivocadamente o Informe Folha nesta semana.


