Curitiba Nesta e na próxima semana o consumidor vai se deparar com aumento a ''conta-gotas'' no preço do álcool. Isso porque toda a cadeia deste combustível como usinas, distribuidoras e postos de combustíveis começa a repassar para a bomba a defasagem que estava represada no período de safra. Alguns postos falam em reajuste de 15%, mas o Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Paraná estima que essa defasagem seja de 30% no preço do álcool. Com isso, o preço da gasolina também sobe, já que 25% de sua composição é de álcool anidro.
Segundo o presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, os postos de gasolina já estão recebendo o álcool com reajuste. Há duas semanas, os postos pagavam entre R$ 0,65 e R$ 0,66 por litro de álcool e agora já estão recebendo o produto por R$ 0,77 a R$ 0,78 o litro. ''Quem tem estoque antigo ainda não repassou o reajuste'', disse o empresário.
Na bomba, o consumidor começa a pagar entre R$ 0,85 e R$ 0,86 o litro, que corresponde a uma margem de R$ 0,08 a R$ 0,10 no máximo por litro, o que é insuficiente para bancar os custos do estabelecimento, assegurou Fregonese. Segundo ele, à medida que os postos ampliam a margem de intermediação para recuperar a própria defasagem do setor, as distribuidoras aumentam o preço dos produtos na mesma proporção, o que impede os postos de promoverem uma recuperação de suas margens. ''O posto é um mero repassador de preço'', diz Fregonese.
O presidente do Sindicombustíveis chama a atenção dos consumidores para o fato de que os postos de combustíveis não são os vilões dos aumentos dos preços do álcool e da gasolina. De acordo com Fregonese, os postos são monitorados pelas distribuidoras, de acordo com o repasse de preços que elas fazem. ''Tanto na queda ou na alta de preço dos combustíveis praticada pelos postos, eles estão repassando os preços ditados pelas distribuidoras'', afirma.
''A gente vem denunciando há muito tempo que quem manipula os preços dos combustíveis são as companhia distribuidoras'', lamenta. Fregonese disse que o objetivo dessas companhias é atuar também no varejo, acabando com os proprietários de postos de gasolina. ''Esta classe está em extinção'', afirma. Segundo ele, as companhias só não tomaram conta de todo o mercado em função da resistência dos sindicatos estaduais de revendedores de combustíveis e da federação da categoria.
Fregonese denuncia que as distribuidoras estão apertando os postos de gasolina até o revedendor abandonar o seu estabelecimento ou então repassá-lo às companhias. ''Quando isso atingir todos os estabelecimentos, essas empresas vão praticar o preço que quiserem'', avisa.

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