Decreto de Covas já preocupa empresários
Carmem Murara
De Curitiba
As indústrias de embalagens e produtos plásticos no Paraná acompanham com apreensão a mais recente batalha deflagrada pelo governo de São Paulo contra os Estados que atraíram empresas ancorados em incentivos fiscais. Os empresários temem que o decreto baixado em São Paulo encareça as transações comerciais e reduza o faturamento. O decreto do governador Mário Covas sobretaxa a produção de empresas que se instalaram com incentivos fiscais em outros Estados.
O Paraná tem duas empresas no segmento de embalagens e plásticos que receberam incentivos para se instalar: a Dixie Toga, com unidades em Londrina e Curitiba (Impressora Paranaense), e a Metalma da Região Metropolitana de Curitiba. O governador de São Paulo disse que a indústria de produtos plásticos poderia ser a primeira a ser atingida pelo decreto.
Um dos diretores do Sindicato da Indústria Plástica no Paraná e vice-presidente da Federação das Indústrias no Paraná (Fiep), Celso Gusso, não acredita numa retaliação. A guerra fiscal sempre existiu e na verdade é uma grande bobagem. Quando São Paulo nos fornece matéria-prima ele ganha com isso, então por que nos prejudicar?, questionou o empresário.
Hoje, há cerca de 200 pequenas, médias e grandes indústrias do setor plástico no Estado. Elas compram matéria-prima de três pólos petroquímicos que ficam em Camaçari (Bahia), Triunfo (Rio Grande do Sul) e Petroquisa (São Paulo). Qualquer mudança na alíquota dos impostos cobrados poderia provocar uma migração para outros fornecedores. A indústria plástica paga 12% de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e 12% de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
Para o diretor financeiro da Dixie Toga, Tomás Auerbach, não são os incentivos fiscais que tornam uma empresa mais ou menos competitiva como alega o governo de São Paulo. O que faz a diferença é investir em eficiência e produtividade, afirmou Auerbach.
Ele avaliou que o decreto é uma preparação das baterias contra os outros Estados. Auerbach disse que a Dixie Toga migrou para Londrina, porque São Paulo não conseguiu oferecer a eles infra-estrutura e incentivos fiscais municipais.





