Decreto assinado ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alcides Tápias, revogou a taxação de 9% que havia sido imposta pelo governo às exportações de couros wet blue (submetido a um primeiro processamento) e a couros salgados (sem processamento), desde o dia 8 de dezembro. A medida atendeu, na época, à indústria de calçados, apesar dos protestos do setor agrícola.
Os calçadistas pediram a taxação, alegando a necessidade de garantir o suprimento do produto no mercado interno. O assessor técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Paulo Mustefaga, disse que o fim do imposto deverá propiciar maiores ganhos aos exportadores de couros brasileiros. ‘‘Os exportadores já vêm tendo uma situação bastante vantajosa no mercado internacional devido ao extermínio do rebanho bovino europeu, provocando pela doença da vaca louca’’, salientou.
Na avaliação dele, o governo deve ter reconhecido a impropriedade da medida, devido à competitividade ganha pelo setor desde o início deste ano. Além disso, a indústria de calçados não conseguiu se beneficiar com a medida, porque a demanda externa pelo produto acabou compensando a taxação, afirma Mustefaga.
Segundo a CNA, somente nos dois primeiros meses deste ano as vendas de couro salgado e wet blue - a despeito da taxação de 9% - cresceram 148% e 14%, respectivamente, na comparação com igual período no ano passado. As exportações de wet blue foram de US$ 74 milhões, com a comercialização de 1,786 milhão de peças em janeiro e fevereiro. Já as vendas de couro salgado somaram US$ 685 mil, com a exportação de 37 mil unidades do produto.
‘‘Foi a primeira vez que houve realmente ganho de preços nas vendas’’, salienta Mustefaga. A tendência até o final do ano, segundo a entidade, é a de que o Brasil continue tirando vantagens nas vendas externas, levando em conta que, além da vaca louca, o rebanho europeu também foi atingido pela febre aftosa. O técnico da CNA lembra ainda que a Argentina, que também exportava, ficou fora do mercado com o retorno da febre aftosa no País vizinho.

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