Agência Estado
De São Paulo
Economistas, empresários e sindicalistas criticaram ontem as declarações do presidente Fernando Henrique Cardoso em relação à reposição da inflação e altas de preços. Economistas argumentam que o destaque que o presidente deu aos aumentos salariais não corresponde às causas das atuais elevações de preços. Além disso, lembram que o reajuste de tarifas – regulado pelo governo – foi um dos itens que mais pesou nos índices de inflação do varejo.
A ‘‘condenação’’, por Fernando Henrique Cardoso, à prática de reajustes salariais generalizados neste segundo semestre provocou indignação nos dois principais líderes da Central Única dos Trabalhadores (CUT): os presidentes do Sindicato dos Bancários de São Paulo, João Vaccari Neto, e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho.
Os sindicalistas representam categorias com grande poder de organização e conseguiram repor a inflação nos salários de boa parte dos trabalhadores que representam. Mas ressaltam que foram atrás da inflação passada, provocada por descontrole no câmbio, juros elevados, ‘‘tarifaços’’ das companhias privatizadas e a própria política econômica do governo.
Vaccari e Marinho lembram também que nem bem conseguiram recuperar salários e já estão no prejuízo. Isso porque a inflação do último trimestre do ano está estimada em 3%. A do ano que vem, se tudo der muito certo, em pelo menos mais 8%, segundo meta do governo. Ou seja, mês a mês os assalariados vão perder seu poder de compra, duramente recuperado nos últimos meses.
Ambos não definiram estratégia para os próximos meses, mas mesmo Marinho, que há alguns meses sugeria que, em vez de se preocupar prematuramente com indexação de salários, o movimento sindical deveria refletir sobre como evitar a inflação, já não vê espaço para isso hoje. ‘‘O governo poderia ter evitado reajustes de preços se tivesse negociado políticas de produção e de desenvolvimento com diversas cadeias produtivas’’.’’

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