Declaração deve comprovar taxa efetiva
Rio de Janeiro - O professor Luis Carlos Ewald diz que, antes de pegar o empréstimo, o aposentado deve pedir ao banco uma declaração assinada de que a taxa efetiva é de 2%. A expressão taxa efetiva é fundamental. Nesse caso, se a taxa for maior, o aposentado pode ir à Justiça. Se o banco não quiser dar a carta, certamente ele cobrará mais que 2% ao mês.
João Batista, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical, que congrega 420 mil sócios, diz que está pressionando o Governo por uma campanha de esclarecimento sobre os riscos desses empréstimos, incentivados demais pela propaganda que usa artistas de TV. ''Do jeito que está, o Governo está mandando os aposentados para o matadouro, porque eles não vão ter como viver com a corda no pescoço.''
O professor Luis Carlos Ewald diz que a taxa de financiamento de R$ 48 é cobrada para quem pede R$ 200 ou R$ 5 mil. ''Isso é 20% para quem pede 200. O pobre acaba pagando mais.'' Segundo o IBGE, 40% dos idosos ganham até um salário mínimo e 15% até dois, ou seja, 55% ganham menos que R$ 500.
Ascensão de Oliveira Reis, 80 anos, é uma veterana em empréstimos no Banco Itau, onde tem conta desde 1957. Aposentada desde 1988 como assistente social e ex-proprietária de uma clínica geriátrica, ela é uma devedora equilibrada e só pede empréstimos para fazer melhoria em sua casa, no Engenho Novo. Há três meses, ela pediu R$ 2.500 para trocar as janelas por esquadrias de alumínio e comprar uma nova porta de ferro, com vidro. Vai pagar em dez vezes. ''Se eu quisesse em mais vezes, eu pagava, porque os meninos do banco são ótimos e fazem tudo o que eu peço. A única desvantagem é que minha agência fica em Botafogo e agora eu moro no Engenho Novo. É uma viagem pedir empréstimo.''
Já a aposentada Rita de Figueiredo, 77 anos, mãe de 15 filhos, dos quais 11 vivos, disse que fez empréstimo a contragosto, para ajudar um de seus filhos. ''Eu jurei que nunca mais iria fazer um empréstimo em banco. Agora estou preocupada, porque a dívida vai demorar a acabar.''
Pelo que diz seu extrato bancário do Unibanco, Rita pagou uma taxa de juros de 5,56% ao mês, mais que o dobro da oferecida pelas propagandas de bancos na TV. Com renda mensal do INSS de R$ 340, ela pegou um empréstimo de R$ 1.300, recebeu menos que isso - ''descontaram umas taxas'', diz - e vai pagar 24 prestações de R$ 113. Ela mora com um dos filhos, a nora e os netos, mas paga suas despesas pessoais. Rita está triste. Guarda uma lembrança desagradável do empréstimo que fez para passear em Recife - ''a viagem foi ótima, mas a prestação parecia que não ia mais acabar'' - e agora a amiga Admirce do Nascimento, 68 anos, que também fez empréstimo, advertiu-lhe que sua taxa foi alta demais. ''Pede a um de seus filhos para ir lá reclamar'' - diz a amiga. (A.G.)





