Declaração de Greenspan dispara bolsa
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quarta-feira, 23 de setembro de 1998
Agência Estado 
As bolsas de valores domésticas dispararam após as fortes declarações do chairman do Federal Reserve, Alan Greenspan, ao Comitê de Orçamento do Senado norte-americano, sugerindo um corte dos juros nos EUA. Acompanhando o fôlego de Wall Street, a Bovespa fechou em alta de 10,98% e a bolsa carioca subiu 9,20%. Em Nova York, o Dow Jones valorizou 3,26%, ou 257 pontos, para 8.154 pontos. No mês, a bolsa paulista acumula ganho de 12,48%.
Segundo Greenspan, o contágio financeiro internacional aumentou as chances de desaceleração da economia dos EUA. E um crescimento menor será mais do que suficiente para conter a inflação naquele país. Segundo operadores, a sinalização do presidente do Fed sobre juros surpreendeu os investidores, já habituados às suas evasivas e reprimendas às bolsas.
A partir do depoimento de ontem, 50% do mercado passou a projetar uma queda de 0,25 ponto percentual nos juros básicos norte-americanos na próxima terça-feira, quando se reúne o comitê de mercado aberto (Fomc) do Fed.
Também contribuiu para animar os investidores a
confirmação do empréstimo de US$ 1,1 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o Brasil. Ainda que este valor seja considerado tímido, quase que simbólico, foi mais um sinal de que a comunidade internacional não está alheia às dificuldades pelas quais passam os países latino-americanos. O porta-voz do BID confirmou ainda que o Eximbank japonês estuda crédito de igual valor para o Brasil.
Pela manhã, as bolsas já davam sinais de bom humor após o discurso de Fernando Henrique Cardoso no Itamaraty. Apesar de cansados de retórica, os investidores consideraram positiva a postura de Fernando Henrique em defesa das reformas e da necessidade dos organismos internacionais terem ações mais eloquentes em relação à crise dos países latino-americanos.
No finalzinho do pregão, foi a vez de o secretário do Tesouro dos EUA, Robert Rubin, manifestar apoio ao discurso de Fernando Henrique e enfatizar que a estabilidade no Brasil é importante para os EUA. A boa notícia fechou o dia com chave de ouro.
Mas, apesar de Greenspan, o mercado continua cauteloso. Foi mais uma sinalização, nada oficial. Vamos esperar o dia 29, disse outro operador, referindo-se à reunião do Fomc, que acontece na próxima semana. O fluxo cambial continuou o mesmo. Até as 17h15, o saldo era negativo em US$ 589 milhões, sendo US$ 118 milhões no flutuante e US$ 471 milhões no comercial. Está cada vez mais evidente que o mercado de dólares não reage mais a notícias conjunturais, como a da possibilidade mais próxima de os EUA reduzirem suas taxas de juro.
Enquanto aguarda as eleições e a confirmação do Fed em relação à redução da taxa de juros norte-americanos, o mercado futuro de juros opera de olho no câmbio. Até lá, a elevação gradual da taxa do over deve se manter. Só quando os dólares pararem de sair ou o fluxo chegar próximo ao zero é que se poderá dizer que a crise está diminuindo, disse um operador. E só aí é que as taxas de juros devem cair. O mercado estima que essa redução deva ser, na intrabanda, em torno de cinco pontos percentuais. Segundo um operador, o fato de o BC ter atuado duas vezes ontem no over não significou uma tentativa de conter o fluxo. O BC sabe que isso não seria suficiente para parar as saídas cambiais, disse.


