Brasília - A decisão sobre o aumento do salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda (IR) das pessoas físicas ficou para o ano que vem. Ontem, na terceira reunião entre governo e centrais sindicais para discutir os dois assuntos, não houve avanço nas negociações e um novo encontro foi marcado para 11 de janeiro.
''O Congresso empurrou para janeiro a votação do Orçamento e nós temos de tomar a decisão em sintonia com as possibilidades discutidas lá. Para saber o que cabe no Orçamento, temos de medir o pulso do Congresso'', declarou o ministro do Trabalho Luiz Marinho.
O presidente Lula quer aumentar o mínimo dos atuais R$ 300 para R$ 350 (16,67%). O relator do Orçamento, deputado Carlito Merss (PT-SC), já disse ser possível elevar o valor para R$ 340. O presidente da CUT, João Felício, disse que a base para a correção do IR é de 8,67%. As centrais querem 13% - a inflação deste ano, mais 7% que não foram concedidos em 2004.
Aumento real - Os trabalhadores conseguiram aumento real em 87,5% das convenções coletivas negociadas neste ano, segundo levantamento divulgado ontem pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) em parceria com a Universidade de Campinas (Unicamp). O resultado é o melhor desde 2001, quando a central iniciou o estudo sobre as negociações salariais com sindicatos cutistas.
Em 9,4% dos acordos, os trabalhadores conseguiram zerar as perdas acumuladas pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) nos 12 meses anteriores a cada data-base. O INPC é o índice mais usado nas negociações e serve para corrigir o salário mínimo e benefícios previdenciários. Os reajustes menores do que a inflação corresponderam a 3,1% dos feitos pelas 40 categorias profissionais analisadas no levantamento.Em 2004, os reajustes acima da inflação (com aumento) corresponderam a 64,6% dos negociados por entidades ligadas à CUT. A maior parte dos ganhos reais conquistados em 2005 ficou na faixa entre 1% e 2% acima do INPC .

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