Decisão sobre milho transgênico fica para abril
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quinta-feira, 22 de março de 2007
Das agências 
Brasília - A decisão da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) sobre a liberação ou não da comercialização do milho transgênico LibertyLink, da empresa alemã Bayer CropScience só deverá ser conhecida em abril. A reunião da comissão que deveria ter ocorrido ontem pela manhã foi suspensa pouco depois da abertura dos trabalhos.
O cancelamento aconteceu no dia da publicação no Diário Oficial da União das alterações das regras para aprovar pesquisas e o comércio de transgênicos. Integrantes do movimento ambiental Greenpeace foram até a sede da Agência Nacional de Águas (ANA) para acompanhar a primeira reunião após as mudanças e protestar contra a liberação do comércio do milho geneticamente modificado.
Segundo a coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, Gabriela Vuolo, o cancelamento ocorreu porque o presidente da CTNBio entendeu que não haveria um ambiente favorável para a decisão. Os desentendimentos começaram depois que representantes do Greenpeace decidiram reivindicar participação na reunião, o que teria gerado mal-estar entre os conselheiros.
Manifesto - Em Londrina, uma manifestação no Calçadão organizada pela Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) e Sindicato Rural distribuiu folhetos à população esclarecendo sobre a questão da transgenia. ''Nossa manifestação é um movimento justo e esclarecedor para a opinião pública. A decisão de liberar o milho transgênico não é só política e técnica. Essa necessidade deve ser levada à população, pois é ela quem consome o milho'', disse Ywao Miyamoto, presidente da Abrasem.
Um caminhão com espigas gigante de milho (infláveis) com faixas de produtores agrícolas defendendo a adoção do milho transgênico no Brasil estacionou próximo ao Calçadão. Além disso, dois homens vestidos de espiga de milho de dois metros de altura, também infláveis, distribuíram folhetos, camisetas e chapéus para os populares que circularam pelo local.
De acordo com Miyamoto, a Abrasem entende que o Brasil precisa de tecnologia e não se pode mais retardar o desenvolvimento agrícola. ''Com a demora no plantio de milho transgênico, estamos deixando de concorrer com vários países e perdendo em competitividade'', assinalou.
Milton Casaroli, diretor do Sindicato Rural de Londrina, tem a mesma opinião. ''Com a plantação de milho transgênico, haverá importantes ganhos econômicos para o País, já que usaremos menos agrotóxicos nas lavouras e ainda assim teremos maior produtividade na colheita'', afirmou. Casaroli destacou ainda os ganhos para o meio ambiente: ''haverá menos agrotóxicos e menos uso de combustível porque diminuirá a circulação de maquinário agrícola''. Segundo ele, todos esses benefícios já podem ser constatados nas atuais lavouras de soja transgênica.
Estudo apresentado no início deste mês pela Abrasem, informa que os agricultores brasileiros terão uma economia anual de US$ 192 milhões, no caso da liberação do plantio de milho transgênico ''Esse número é modesto já que fizemos uma estimativa baseada em somente 50% de área plantada com a cultura de milho transgênico'', acrescenta Miyamoto. Além disso, o mesmo estudo estima que a adoção do milho transgênico no Brasil reduzirá o consumo de agrotóxicos em 1.739 toneladas por safra.


