Decisão sobre juros nos EUA, hoje, pode acalmar o mercado
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de maio de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O mercado financeiro inicia a semana torcendo para que a definição do juro básico norte-americano pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), na reunião de hoje, clareie um pouco o cenário e a visibilidade para as decisões de investimento. A preocupação é saber como um juro mais alto poderá influenciar a economia e as bolsas norte-americanas, cuja instabilidade tem espalhado incertezas nos mercados mundiais.
A expectativa de analistas é que o Fed calibre uma alta de meio ponto porcentual e o juro básico suba de 6% para 6,50% ao ano. Embora o presidente do Fed, Alan Greenspan, tenha sempre acenado com uma política gradualista na administração dos juros, existe uma percepção inquietante de que os contínuos aumentos de 0,25 pontos-base, definidos até agora, não bastaram para frear uma economia que passa a exteriorizar sinais de pressão inflacionária.
O diretor-executivo de Tesouraria do Banco BMC, Cássio von Gal, comenta que o temor de uma elevação mais forte dos juros explica em parte a turbulência das ações em Nova York. As fontes de instabilidade vão além, afirma. A queda das ações, mais forte das do Nasdaq e um pouco mais suave dos papéis do Dow Jones, tem sido uma correção da forte valorização das bolsas norte-americanas, pela frustração com os resultados das empresas de alta tecnologia e catalisada pelo episódio Microsoft.
O diretor de Tesouraria do BMC estranha e questiona a ansiedade com os juros domésticos, alimentada pelas incertezas externas, num quadro de equilíbrio das contas públicas e da inflação combinado com um regime de dólar flutuante e metas inflacionárias (inflation targeting). Seja como for, a decisão do Banco Central de conter a alta das taxas de juros na semana passada, com a recusa das propostas dos bancos para a compra de LTNs e suspensão do leilão semanal desses títulos, tende a abrir espaço para a continuidade de valorização do dólar, na avaliação de von Gal.


