Decisão sobre FMI mexe no bolso do brasileiro, dizem analistas
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terça-feira, 29 de março de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
A decisão do governo de não renovar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) traz reflexos negativos à população na opinião de consultores econômicos de Londrina. Com a medida, o Brasil terá até 2007 para quitar a dívida de US$ 26 bilhões que ainda resta com o organismo. ''Temos uma economia frágil. Esta decisão tem conotação fortemente política. Na verdade não tem nada de consistência técnica e econômica que justifique essa medida anunciada'', afirma o consultor econômico Almir Rockenbach.
Para ele, o discurso do governo é comum com a proximidade das eleições.''É como se o Brasil estivesse fazendo um enfrentamento ao FMI. Ele tem é que enfrentar os banqueiros brasileiros para quem deve (dívida interna) pelo menos 80% do valor da dívida externa'', complementa o consultor.
Até o mês que vem, diz Rockenbach, a dívida externa chega a R$ 1 trilhão com juros na casa de 18%. ''O Brasil paga somente os juros, desembolsando cerca de R$ 186 bilhões. O governo diz que a medida anunciada anteontem visa conter a inflação, mas isso é mentira. Se aumenta a taxa de juros (Selic), ele dá um tiro no próprio pé, porque aumenta o custo da sua dívida e o custo financeiro das empresas. O resultado disso é que o empresário repassará os custos para os produtos. Com isso, vamos pagar mais caro pelos produtos e teremos inflação'', avalia Rockenbach.
De acordo com o economista, o governo imagina que vai pagar os US$ 26 bilhões através de um saldo na balança comercial, porém ''nesse momento as exportações brasileiras estão indo para baixo em razão das dificuldades do setor agropecuário - principal setor que norteia o mercado internacional.''
Na opinião do economista Laércio Rodrigues de Oliveira, professor no curso de pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina, o Brasil vai precisar manter o arrocho fiscal para pagar a dívida sem recorrer a novos empréstimos do FMI. ''Essa redução nos gastos, vai significar menos dinheiro para ser aplicado em despesas sociais, além de que a classe média vai pagar mais impostos'', acredita Oliveira. Hoje, diz ele, o governo não renova o acordo simplesmente porque não necessita de empréstimos do FMI para controlar o estoque de moeda.
''Quem compra e vende para o exterior são as empresas e tudo isso demanda dólar. O Brasil não tem uma fábrica de dólar, mas, atualmente, ele tem uma reserva alta. A balança comercial está superavitária (exportando mais que importando) em razão disso os brasileiros não estão precisando do FMI nesse momento''.


