O juiz federal Marcos Josegrei da Silva esteve em Londrina nesta segunda-feira e falou com a FOLHA
O juiz federal Marcos Josegrei da Silva esteve em Londrina nesta segunda-feira e falou com a FOLHA | Foto: Anderson Coelho



O Ministério Público tem até quinta-feira (20) para decidir se denuncia ou não os 63 indiciados pela Polícia Federal na operação Carne Fraca. O relatório foi divulgado no último sábado (15). O juiz federal Marcos Josegrei da Silva, responsável pelo caso, deve decidir até o final da próxima semana se abre processos criminais contra essas pessoas. Silva, que é mestre em direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), esteve em Londrina nesta segunda-feira (17) participando na Unopar da Jornada da Escola da Magistratura Federal do Paraná. Ele concedeu uma entrevista por telefone à FOLHA.

"Precisamos dar prioridade a esses processos porque envolvem 25 pessoas que estão presas", disse. A Carne Fraca, deflagrada no final de março, investiga corrupção praticada por empresários do setor frigorífico e fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), além de adulteração de produtos. O juiz contou que, no início da operação, determinou prisões preventivas de 27 pessoas e temporárias de outras 11. Todas as temporárias foram revogadas. Um dos presos preventivamente foi solto por determinação de Silva e outro não foi encontrado. Trata-se de um empresário de Londrina que tem cidadania italiana e não voltou ao Brasil para se entregar.

A operação, que foi divulgada como a maior da história da PF, recebeu críticas do setor produtivo e do próprio governo porque provocou a suspensão da importação de carne brasileira por vários países. Agente da Polícia Federal teriam encontrado substâncias prejudiciais à saúde, assim como papelão, misturados à carne. Entidades que representam a pecuária sustentam que o País é rigoroso na questão sanitária e reclamam que a Carne Fraca teria generalizado todo o setor por práticas ilegais.

Para o juiz, nos primeiros dias da operação, a imprensa priorizou a questão sanitária, em detrimento da corrupção. E este não seria o foco da Carne Fraca. "Trata-se de uma operação focada na corrução, no recebimento de valores indevidos, não necessariamente na questão sanitária. Num primeiro momento, a repercussão foi muito em cima da qualidade dos alimentos, dos riscos que poderiam ser causados à saúde", explicou. Ele lembrou que, apesar de não ter sido o foco, o relatório da PF apresentado no sábado identificou problemas sanitários.
Silva ressaltou que o Paraná é o centro das denúncias de corrupção. E que, no Estado, havia um núcleo composto por pessoas em posição de relevância em cidades polos, como Londrina e Foz do Iguaçu, além da Capital. "O relatório anexa fotos de produtos apreendidos nas casas dessas pessoas", disse. Fiscais do Mapa no Estado teriam recebido propina para afrouxar a fiscalização dos frigoríficos. Parte dessa propina era paga a eles em carne.

O juiz ressaltou ainda que os indiciamentos feitos pela PF até agora são parciais, envolvendo apenas os presos e pessoas relacionadas a eles.

CRIMES
Segundo a Folhapress, a Polícia Federal indiciou 63 pessoas sob suspeita de corrupção, crime contra a ordem econômica e falsificação de produtos alimentícios, entre outros, no âmbito da Operação Carne Fraca, que investiga um esquema de fraude em frigoríficos do País. Estão na lista o ex-chefe do Mapa no Paraná Daniel Gonçalves Filho; o ex-chefe de inspeção em Goiás Dinis Lourenço da Silva; um diretor da BRF; um funcionário da JBS na Lapa (PR); e os sócios do frigorífico Peccin, de Curitiba.

Ao todo, foram indiciados 19 fiscais e 7 pessoas ligadas a eles, além de 25 sócios e funcionários de frigoríficos. O indiciamento não significa culpa, mas que a pessoa é suspeita de ter cometido crime.

Para o delegado da PF Maurício Moscardi ficou comprovada a existência de uma organização criminosa "dentro da estrutura do Ministério da Agricultura", em especial na superintendência do Paraná e em Goiás e Minas Gerais.

Todos os investigados negam problemas. A JBS tem reforçado que não houve menção a irregularidades sanitárias contra a empresa. A BRF diz que realiza suas atividades em respeito às melhores práticas e regulamentos e que não tem conhecimento de nenhuma inadequação. Os advogados do Peccin disseram que apresentarão defesa e pedido de provas no momento adequado. A reportagem não localizou a defesa dos demais citados.

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