Decisão prejudica ainda mais a produção, criticam lideranças
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quarta-feira, 19 de junho de 2002
Agência Folha 
São Paulo - A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de ter mantido, pela terceira vez consecutiva, a taxa de juros básica da economia em 18,5% ao ano. O presidente da Fiesp, Horacio Lafer Piva, disse em comunicado divulgado ontem que a manutenção dos juros no patamar atual é extremamente onerosa para a produção. O Copom continua apontando sua artilharia para os poucos meses que ainda restam neste ano de 2002. É hora de se voltar para 2003 e baixar os juros. A inflação está sob controle e converge para as metas, diz.
Para justificar seu posicionamento favorável à redução dos juros, a Fiesp argumenta que um horizonte mais largo reduz a relevância deste ambiente turbulento que cerca as eleições gerais. Apesar das críticas, a Fiesp admite que sua única esperança é que o viés de baixa seja exercido nos próximos dias.
Para o presidente da Fiesp, a atual política monetária não traz nenhum benefício para a atividade industrial, já que seu desempenho vem sendo sustentado por efeitos diretos e indiretos da oferta agrícola, fatores sazonais e investimentos de longo prazo. Os pontos acima são pouco sensíveis aos juros de overnight, o que obscurece os efeitos nefastos da atual política monetária contracionista, diz a nota.
A manuteção da taxa de juros também foi criticada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com o coordenador da Unidade de Política Econômica da entidade, Flávio Castelo Branco, a atitude do Copom foi extremamente conservadora e frustra as expectativas. A economia brasileira não pode, de forma alguma, desconsiderar os fundamentos e ficar atrelada ao calendário político, afirmou. Castelo Branco lembrou que as eleições só acontecerão daqui a três meses e meio.
Para ele, os fundamentos da economia, como a queda da inflação e os sinais de retomada do crescimento, permitiriam uma reversão das expectativas. Um sinal positivo em relação às taxas de juros seria importante para conter esse pessimismo do mercado, disse Castelo Branco.


