Decisão judicial reduz em 25,77% valor de pedágios da Econorte

Comunicado foi recebido pelo mercado com forte queda no valor das ações do grupo que administra a concessionária

Vitor Struck - Grupo Folha
Vitor Struck - Grupo Folha

As tarifas das praças de pedágio da Econorte ficam 25,77% mais baratas a partir desta quarta-feira (22). A concessionária foi intimada da decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região na ação de improbidade administrativa proposta pelo Governo do Paraná que determina a redução dos valores nas praças de Jataizinho, Jacarezinho e Sertaneja. 


No caso de Jataizinho, valor mais alto dentre as praças administradas pela concessionária, a tarifa deve cair dos atuais R$ 24,60 para R$ 18,20 para automóveis de passeio. Em Jacarezinho e Sertaneja os valores cobrados destes veículos serão R$ 16,80 e R$ 15,60, respectivamente. Já para caminhões com até seis eixos, o valor estabelecido para as três praças de pedágio ficou em R$ 88,80.  




O recebimento da intimação judicial pela Econorte foi comunicado aos investidores logo no início da tarde desta terça-feira, o que provocou imediatamente uma forte queda no valor das ações da Triunfo, grupo que pertence a Econorte, em 4,90%. Já no fechamento no pregão, a queda no preço da ação foi de 8,82%.    


“A Concessionária está tomando todas as medidas legais e judiciais cabíveis para assegurar seus direitos em face da decisão. Os serviços da rodovia e atendimento aos usuários seguem sendo prestados, apesar da redução”, disse a Triunfo que está proibida de distribuir dividendos. 


No início deste mês, a força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná voltou a pedir a condenação de 14 pessoas investigadas em um suposto esquema criminoso de concessão de rodovias federais e lavagem de dinheiro, o que ficou conhecido com a deflagração da operação “Integração”, braço paranaense da Lava Jato. Entre os réus da operação, estão o ex-presidente da Econorte, Hélio Ogama, e outros funcionários da concessionária, além do ex-diretor do DER, Nelson Leal Júnior, e os empresários Marcelo José Abbud e Adir Assad.  


Segundo o Ministério Público Federal, os crimes foram cometidos através de empresas “noteiras”, aquelas constituídas de maneira fraudulenta, além da aquisição de imóveis, utilização de operadores financeiros e contratação de empresas com contratos superfaturados.   


A Lava Jato solicitou também a condenação dos réus a restituírem os danos causados pelo esquema em R$ 126 milhões correspondentes ao crime de lavagem de dinheiro, e R$ 31 milhões para reparação dos valores desviados dos cofres do estado.     


Já a ação movida pelo DER (Departamento de Estradas de Rodagem) e pela Procuradoria-Geral do Estado também pede a restituição de R$ 4 bilhões aos usuários referentes aos valores arrecadados na praça de Jacarezinho, que estava prevista no contrato original.  


A Econorte informou que não irá se manifestar sobre a ação. 


Para o presidente do Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários Autônomos de Bens de Londrina e Região), Carlos Roberto Dellarosa, a redução apresentada, de fato, ajuda os transportadores autônomos. No entanto, Dellarosa não deixou de demonstrar preocupação com a proximidade do fim do contrato entre a concessionária e o governo do Paraná, marcada para o ano que vem.


“Vai ajudar um pouco o grande embarcador ou aquele caminhão que vai passar vazio, R$ 25 já é uma refeição. Agora, cadê as obras de duplicação? Nós queríamos que eles iniciassem as obras no Contorno Norte de Ibiporã, já deveria ter saído faz tempo. Tinha que parar tudo [a cobrança]. Com o tanto que eles arrecadaram, não deveriam cobrar até o final do contrato”, criticou.  


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