A proibição da Justiça de Londrina não foi suficiente para retirar das ruas os ambulantes que vendem produtos relacionados à Copa do Mundo. A decisão é de quinta-feira mas os vendedores continuavam, ontem, comercializando seus produtos com base em um alvará concedido pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU). O órgão municipal informou que já havia cancelado esses alvarás e que os comerciantes já tinham sido notificados. No entanto, essa informação é negada pelos próprios ambulantes entrevistados.
''Você preferia estar me entrevistando aqui vendendo esses produtos ou depois de ter feito um assalto?'', questionou à reportagem um ambulante que preferiu não se identificar. Ele está vendendo camisetas, bonés e bandeiras desde o começo da semana passada, amparado no alvará da CMTU. Instalado em uma calçada, o ambulante diz que não está atrapalhando o comércio formal e que, inclusive, está longe do centro da cidade. ''Queremos emprego, mas não têm. Empreguei aqui o dinheiro que recebi de uma indenização'', disse.
Um outro ambulante João Batista Ramos da Silva está comercializando camisetas, bonés e bandeiras desde sexta-feira passada no estacionamento do Ginásio de Esportes Moringão. Ele já tem um alvará anual para comercializar pufs e bichinhos de pelúcia no local. ''É a primeira vez que estou vendendo produtos da Copa, mas acho que se conseguir empatar o dinheiro que investi vai ser muito'', comentou.
A briga judicial, pelo menos, não afeta os ânimos dos consumidores. Ontem, um dia antes da estréia da seleção brasileira na Copa, ainda havia procura por camisetas e bandeiras. ''Estou procurando uma bandeira para enfeitar a minha casa, mas já temos camisetas, chocalhos e cornetas. Vamos reunir os amigos para um churrasco durante o jogo'', disse a advogada Kelly Cristina da Silva. Já a dona-de-casa Cecília Andreati estava à procura de uma camiseta para o neto Gabriel, de 12 anos.
Procurado pela reportagem, o presidente da CMTU, Francisco Moreno, disse que o órgão tem a intenção de fiscalizar o comércio dos ambulantes ''na medida do possível'', em conjunto com a fiscalização dos demais camelôs da cidade. ''Temos a intenção de fiscalização e cumprir com rigor a determinação judicial'', afirmou. Segundo Álvaro Grotti, gerente de Fiscalização da CMTU, foram concedidos apenas dois alvarás e outros oito estavam em processo de tramitação. ''Já cancelamos os alvarás e notificamos os ambulantes'', comentou. A CMTU disse que irá devolver o dinheiro dos comerciantes pago no alvará.
ACIL - A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) promete acionar judicialmente a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) caso o órgão não fiscalize os ambulantes que continuam vendendo produtos relacionados à Copa do Mundo. ''Com a decisão da Justiça a CMTU tem obrigação de fiscalizar e se isso não ocorrer iremos notificar o órgão judicialmente'', disse José Augusto Rapcham, presidente da Acil.
Amanhã, o órgão pretende pedir à CMTU um relatório com o balanço das notificações, autuações e mercadorias apreendidas dos ambulantes que comercializam produtos relacionados à Copa. ''Se o número apresentado não for compatível com o número de ambulantes que ainda estão nas ruas, iremos acionar a CMTU na Justiça'', afirmou Rapcham.
''É lamentável que um órgão municipal não atenda os anseios da população'', comentou o presidente da Acil. A entidade impetrou ação judicial contra a CMTU na semana passada para proibir a venda desses produtos que, inclusive, é proibida pelo Código de Posturas do Município.

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