São Paulo - Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) impediu que o investidor libanês radicado no Brasil Naji Nahas possa vir a ser condenado sob a acusação de manipular o mercado de ações e de operar sem lastro (sem recursos). Em 1989, Nahas, na época um dos maiores investidores do país, ficou conhecido por ter feito operações que supostamente teriam provocado prejuízos de cerca de US$ 400 milhões a investidores. O escândalo abalou a Bolsa de Valores do Rio, onde foram realizadas as operações, e culminou no seu fechamento.
O investidor chegou a ser condenado em 1997 a 24 anos e oito meses prisão por decisão da 25 Vara Federal do Rio de Janeiro. No entanto, seus advogados conseguiram inverter a decisão no Tribunal Regional Federal da 2 Região (Rio), que considerou que apenas a Justiça estadual poderia processá-lo.
Na noite de ontem, a Sexta Turma do STJ confirmou a decisão do TRF de afastar a competência da Justiça Federal no caso. Como a ação teria de retornar para a Justiça estadual, mas já prescreveu, na prática Nahas não pode ser mais condenado.
O advogado Eduardo Galil, que defendeu Nahas, disse que não descarta abrir novo processo para cobrar indenização por danos morais a seu cliente. ''Ele (Nahas) foi vítima de gravíssimos erros, chegou a ficar oito meses preso e sofreu todos estes anos por um crime que não cometeu'', afirmou. ''Ainda não conversei com meu cliente, mas acho que ele deveria denunciar o dano moral sofrido.''
Nahas recentemente foi o principal intermediário do acordo entre o banco Opportunity e a Telecom Italia para a compra de participação da Brasil Telecom.

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