Decisão foi técnica, alega ministério
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou ontem que a decisão de anunciar a descoberta de um foco de febre aftosa no rebanho do Paraná foi a melhor alternativa para o País. ''Com certeza foi o melhor para o País, não obstante ter enorme pesar pelos problemas que o setor privado do Paraná pode vir a enfrentar'', disse. Rodrigues afirmou ter levado em conta a credibilidade brasileira no mercado externo. ''Pesei muito isso, mas diante dos argumentos da área técnica não havia outra medida a tomar, inclusive em nome da credibilidade externa da defesa sanitária brasileira'', ressaltou o ministro.
O secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Gabriel Alves Maciel, disse - em nota oficial - que a decisão de reconhecer o foco no Paraná ocorreu por conta dos novos fatos que relacionaram vinculação epidemiológica e sorologia positiva. Com os resultados, foram adotadas as medidas definidas pelo Código Sanitário para os Animais Terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).
Quanto à possibilidade de isolamento viral, solicitado pelo governo do Paraná, o Mapa informou que as chances são de 40% a 50% em líquidos esofágico-faríngeos. Maciel não acredita em perdas econômicas maiores ao Paraná, já que 90% dos países que anunciaram restrições comerciais às carnes brasileiras já haviam incluído o Estado nos embargos. A decisão sobre o sacrifício do rebanho deverá ser agora do governo do Estado. ''Se optarem pelo sacrifício dos animais, o retorno à situação sanitária anterior pode ocorrer em seis meses. Se a decisão for pelo abate sanitário em frigoríficos, o status anterior só poderá ser recuperado em 18 meses'', disse Maciel.
Estão interditados no Paraná os municípios de Amaporã, Loanda, Maringá e Grandes Rios. A interdição continua mantida num raio de 10 km a partir do foco. O delegado federal do Mapa no Paraná, Valmir Kowaleski, disse que a decisão de divulgar que o Estado tem febre aftosa foi técnica e segue rigorosamente os protocolos internacionais. ''Gostaríamos de ter outra notícia para o público, mas temos que obedecer os protocolos internacionais. Agora é dar as respostas sanitárias o mais rápido possível. Nosso desejo era que o Paraná não tivesse aftosa. Essa foi uma decisão extremamente difícil'', declarou ele.(L.P. com AE)





