Curitiba - O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) concedeu ontem liminar para que os funcionários da multinacional italiana Diamantina Fossanessea, maior no setor de botões da América Latina, com sede na Cidade Industrial de Curitiba, assuma a gestão da empresa. Há 20 dias, os 168 dos 190 funcionários ocuparam as instalações da fábrica. Devido a uma série de problemas financeiros, a empresa apresentou sinais de que iria fechar suas portas.
Os trabalhadores estão com 13º e salários de dezembro e março atrasados e um cálculo preliminar dá conta que as dívidas da fábrica são de pelo menos R$ 33 milhões. O pedido de liminar foi concedido à uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público (MP) do Trabalho na semana passada.
A proprietária da fábrica Lídia Olivero, que está na Itália, ainda pode entrar com recurso para retomar seu patrimônio. Contudo, a promotora do trabalho, Margareth Matos de Carvalho, diz ser pouco provável que o pedido seja atendido devido ao grande número de documentos que comprovam a gestão fraudulenta da administração da fábrica.
A autogestão de uma empresa comandada por funcionários é inédita no Paraná. E para conseguir tocar o projeto, trabalhadores da fábrica de botões vão contar com a ajuda da Incubadora Técnica de Cooperativas Populares da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e apoio da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social. A Justiça do Trabalho concedeu 120 dias para que os trabalhadores apresentem em juízo um plano de gestão para a fábrica.
Apesar da conquista, antes de recolocar a fábrica nos trilhos, a nova gestão tem um desafio: convencer os credores a retirarem o pedido de falência. Ou pelo menos convencer o juiz que vai julgar a falência a dar uma oportunidade aos trabalhadores. No total, são oito pedidos. Segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Vestuário (Sitravest), Regina de Cássia Guimarães, a previsão é para que o trabalho recomece a partir de hoje.
A reportagem da Folha não localizou o responsável pela fábrica, o diretor Felipe Casseb. Seu celular foi cancelado e no seu telefone residencial a pessoa que atende informa que não existe ninguém com esse nome no local.

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